Máxima é uma frase que tem implícita uma regra de conduta ou moral, por vezes satírica, que se adapta a diversas situações da vida. Enumeramos algumas em forma de quadra: Cada um berra conforme o rebanho que ele guarda. alguns nem rebanho têm, muito berram para nada. Ninguém pode confiar no que diz o trapaceiro, muito fala e do que diz pouco ou nada é verdadeiro. Cada um apenas toca o instrumento que tem, se o souber conservar e tocar souber também. Se a ovelha é de muitos dizem que é de todo o povo, anda perdida na serra, morre na boca do lobo. Quem muitos negócios tem e quem muitos amores ama, de todos não presta conta: a uns falta, outros engana. Senhor com ouro na arca e muito trigo na eira não dorme e não descansa, terá guerra a vida inteira. Todos querem paz em casa, p’ra nunca de lá sair, cada um só goza a paz que o vizinho permitir. Deus tudo o que pode faz, diz assim o velho ditado, mas se Deus não quer não faz, diz que o faça o Diabo. Nunca confies no cão, mesmo que este seja teu, não sirvas a quem serviu nem devas a quem deveu. Deus dá trigo e dá centeio, p’ra ceifar no verão, mas não esperes sentado, Deus nunca amassa o pão. Mendigo que pão só pede não pode estar a fingir. se frade pede p´ra Deus, p´ra dois ele está a pedir. Ao rico e ao mendigo Deus dá frio e dá roupa, casacão cabe ao rico, ao pobre camisa rota. Em todas as capoeiras, se galinha cacareja: pôs ovo ou quer fazer com que o galo a veja. Entre todas as criações, o avarento e o feijão são muito mais produtivos s’estão debaixo do chão. Há tanta gente estúpida, até o Diabo se espanta, quem se deita com os cães com as pulgas se levanta. Lágrima de bom sermão e a chuva de trovoada caem d’estrondo no chão pouco servem para nada. O pobre por mais que tente p´ra sair da cepa torta, a sorte cabe ao rico, ao pobre a sorte é pouca. Se de todos não confias e não queres um conselho, p’ra conhecer o inimigo olha p’ra qualquer espelho. Em tudo na tua vida segue sempre a razão, ainda que a uns agrade e a outros de certo não. * Procurador da República

João Luís Gonçalves *