A experiência sofrida e vivenciada deveria ser o melhor antídoto para não se voltar a apostar naqueles que a capitanearam e estão também na sua origem.
Particularmente quando o resultado da sua performance é inequívoco nos danos causados à tripulação e cujo fim não se vislumbra num horizonte próximo.
Depois, os argumentos que são usados para continuarem ao leme, fazem-nos recordar o “Canto das Sereias”, da Mitologia Grega, que ocorreria ali para os lados da ilha Capri, no mar Tirreno, em Itália.
O marinheiro, qual cidadão, embora avisado e tendo ouvido já relatos dos perigos associados ao chamamento das sereias, era por elas seduzido através do seu canto. Ao escutar era atraído, aproximando-se o bastante para ouvir seu sedutor som, descuidando o perigo da sua atitude, a qual resultava em naufrágio.
Desta imagem resultou a expressão que entretanto ganhou espaço no vocabulário popular “cair no canto da sereia”, que numa versão leve pode significar, cair naquilo que é mais do mesmo e que por experiência, sabemos que é menos bom, ou sendo mais claro, cair no engano.
Nestas águas, O Canto da Sereia ou das Sereias, também terá encontrado espaço e tempo para se instalar, sendo aparentemente possível essa identificação através dos recentes actos de cariz sedutor, protagonizados pelo novo timoneiro da já velha e gasta nau que nas últimas quatro décadas navegou livremente na região, querendo agora imprimir novas rotas, da autoria de outros, e que outrora, repetidamente, rejeitava.
Perante a oportunidade real, há agora que encarar de frente a possibilidade de acompanhar os “Ventos da MUDANÇA”, rumo que tarda realmente em ser traçado, e que criará a possibilidade do avisado afastamento do “Canto das Sereias”.
Fernando Rodrigues