O desporto regional tem andando um pouco à deriva, com um modelo caduco sem regras definidas quanto ao seu desenvolvimento estratégico, ao nível das decisões politicas e ao nivel das próprias associações de modalidade.

Claro, um erro crasso seria generalizar este estado de letargia, pelo que existem associações e modalidades que paulatinamente têm percorrido o seu caminho defenido adequando-se as novas realidades.

A crise financeira que a região se precipitou agudizou e realçou a ausência clara de um projeto desportivo regional para as novas realidades.

Interpretar com realismo que a atividade física e o desporto, hoje estão equidistantes da saúde e da formação integral dos jovens é prioritário. Arriscamos mesmo dizer que na área da comunicação e relacionamento pessoal e interpessoal, o desporto é um instrumento cada vez mais imprescindível, portanto, obrigatório face aos estilos de vida vigentes nomeadamente dos jovens e adolescentes. Se juntarmos a necessidade da atividade física no combate às verdadeiras epidemias deste novo século, nomeadamente hipertensão, diabetes e obesidade, e acopularmos o retorno financeiro na saúde que advém de hábitos e estilos de vida saudáveis, então temos objetivos que estravazam o próprio desporto e atividade física.

Vamos colocar as decissões sobre o modelo estratégico ao nível regional e no âmbito da política regional.

Os paradigmas do século passado foram ultrapassados e já nao se adequam às realidades e aos desafios do futuro. A construção do novo edifício provavelmente não pode ser executado a partir do atual, pois sem temores vamos ter que requalificar e restaurar, e tambem em complexos, mas com determinação encetando a renovação que alguns esperam e anseiam, e é crucial. A racionalização dos diferentes recursos assim o exige e a uma alteração e nova política de educação nesta área justifica-se.

Na verdade, quando se fala em política desportiva, fica-se pela seleção e discriminação positivas e pelas respetivas subvenções e apoios publicos.

Puro e grande engano!

Sucessivamente e gradualmente as diferentes instituções que tutelaram a area do desporto, com maior ou menor autonomia, ou sejam, a DRD, IDRAM e agora a DRJD, foram perdendo capacidades de orientação e definição das políticas regionais de desporto(?), e transformando-se em meros executantes da distribuição de dinheiros públicos. Esta verdade é tão acentuada que já não existe nem tempo nem espaço para as reflexões e ensaios a mudanças tidas como fundamentais.

Não é evocando a existência de regulamentos e regras de distribuição de dinheiros públicos, que configura uma verdadeira politica desportiva. Este é umpressuposto mal colocado e falacioso que tem desvirtuado e escondido, a definição de um alvo, um caminho e as metas que precisamos de trilhar.

Necessitamos um novo olhar para o desporto e a atividade física, mais abrangente, mais poderoso e sobretudo mais partilhado e comunicante com as outras areas da sociedade, porque este fenónomeno atravessa-a transversalmente. Não começa nem acaba na escola, nem os clubes são detentores da sua exclusividade; nem a evocação do passado servirá para prepetuar práticas e envolvências que não trazem valor acrescentado na sua efetividade; nem o turismo que daí advem justifica tudo, nem a participação massiva e pontual valida os indicadores preocupantes dos hábitos de prática que nos confrontamos.

As nossas especificidades de ilha, do acesso ao mar, das nossas serras, sendo fatores a tomar em conta, têm de conjugar com o tipo de homem, com o tipo de participação e envolvência, e com o desenvolvimento deste potencial humano e as capacidades que já provamos ter e a história nos orgulha.

Rui Mâncio Caires