Hugo Sousa Câmara Em resposta à notícia ‘Machico reivindica recife para mergulho’ venho dar o meu ponto de vista da situação.

Como mergulhador e residente em Machico venho afirmar que o concelho de Machico reúne das melhores condições da região para a criação de um parque subaquático para a prática de mergulho recreativo. Contudo, devo afirmar que o melhor local não se encontra entre Machico e Caniçal, nomeadamente debaixo do Pico de Facho. Esta zona apesar de se encontrar relativamente protegida dos ventos e das vagas de nordeste, é uma zona que não oferece as condições adequadas para o afundamento viável de uma embarcação com cerca de 85 metros como é a Corveta NRP General Pereira d’Eça. Este local não apresenta a profundidade adequada, é uma zona de tráfego marítimo, pela proximidade ao Porto comercial do Caniçal e, além disso, é uma zona sem grande valorização turística para a prática do mergulho recreativo pela fraca visibilidade da água que se encontra ao mergulhar em tal local. Se mergulharmos nesse local nesta altura do ano encontraremos sem grande supressa uma visibilidade a rondar os 5 metros, e não é isso que queremos apresentar ao divulgar a prática de mergulho na região como atracção turística ao nível mundial.

Sem sombra de dúvidas o local mais adequado para a criação de um novo parque subaquático na região é a zona do Caniçal, mais especificamente na Baía D’Abra.

Este local apresenta a profundidade ideal (profundidade máxima de 40 metros), tem fundo de areia, encontra-se protegido de vagas e ventos predominantes, apresenta pouco tráfego marítimo e além disso, oferece anualmente boas condições de visibilidade. Nesta altura do ano é possível mergulhar com uma visibilidade mínima de 15 metros e no verão é frequente mergulhar com visibilidades de 30 a 40 metros.

Vejo a vinda da Corveta para criação de um novo recife artificial na Madeira como uma mais-valia para a economia regional e a potencialização do mergulho na região como atracção turística mundial. Porém, ainda observo que os principais intervenientes desta actividade continuam a sobrepor os interesses individuais acima do colectivo, e enquanto isso acontecer, o mergulho como atracção turística na região não passará de uma “brincadeira” para um nicho turístico de grande impacto para o turismo e economia regional.

Resta esperar que exista bom senso no local mais apropriado para a criação do novo parque subaquático, para que assim, se possa rentabilizar ao máximo o afundamento de uma embarcação e criação de uma nova zona de reserva marinha como meio de atracção turística bem como medida de protecção e desenvolvimento da fauna e da flora subaquática.