Nos Lusíadas, Luís Vaz de Camões recorreu à mítica figura do Adamastor para ilustrar o medo dos navegadores portugueses em enfrentar o desconhecido. Nos dias que correm, o “Adamastor” habita dentro do nosso país e faz com que muitos optem por deixar o que sempre conheceram e aventurar-se no desconhecido.

Quando se fala de exportação nacional, normalmente lembramo-nos da cortiça, do calçado ou do vinho. No entanto, nos últimos anos voltamos a ser grandes especialistas em exportar capital humano.

Como solução para mais esta crise (pois, deste que me conheço por gente estamos sempre em crise) recorreram-se às famosas medidas de austeridade, popularmente conhecidas por cortes. No entanto, ninguém se lembrou (ou se calhar, não dava muito jeito falar nisso na altura), que, com esses cortes, também se cortaram os incentivos para as pessoas permanecerem no país.

Decerto que, na lista de desejos para este novo ano, muitos incluíram imigrar. Seja por se encontrarem numa situação de desemprego ou em busca de melhores oportunidades de carreira.

Muito se fala nos elevados custos da educação, mas esse custo torna-se ainda mais penoso quando não existe retorno no investimento. É exactamente isso que esta a acontecer, estamos a tornar-nos em autênticos fornecedores de talentos para outros países. Se por esta operação recebêssemos alguma contrapartida ainda poderíamos considerar que era a estratégia nacional, no entanto, entregamos de mão beijada o maior activo que temos... as pessoas.

Desde os trabalhadores pouco especializados até aos grandes cérebros, a nossa ética de trabalho e capacidade de adaptação parece ser apreciada um pouco por todo o lado. Os restantes países, principalmente as grandes potências, agradecem esta borla dos amigos portugueses e quanto a nós, por cá continuamos a hipotecar as hipóteses de crescimento futuro.

Pedro Nunes