EHJ Se para alguma coisa este caos nas urgências serviu foi para finalmente provar aquilo que há muito sabíamos - o falhanço da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP). Diga-se, Unidades de Saúde Familiar(USF). Esperar o contrário seria como plantar eucaliptos e almejar biodiversidade florestal! Por cá valeu-nos o clima, a não adopção daquelas unidades, uma administração comum (hospitais, centros de saúde e cuidados continuados - incluindo o Atalaia), os lares públicos (com vagas?) na dependência da SRAS.E… muita sorte.
Inequivocamente, os CSP são fundamentais para a saúde e bem-estar dos cidadãos e para a sustentabilidade do Sistema de Saúde. Mas, para tal,têm deassegurar as respostas às necessidadesdas pessoas. Sobretudo as mais dependentes ou vulneráveis. Onde quer que se encontrem. Em suas casas, nos lares, na rua, etc.. E, para a maioria destas, as USF não têm respostas. Pudera, dá muito trabalho e pouco dinheiro para os “donos”.
É possível termos CSP abrangentes, acessíveis, efectivos e de qualidade. Mas não no formato fragmentado desta reformajá com dez anos. Para tal haverá:
1º, que assegurar que todo o cidadão, querendo, identifica claramente o seu médico e o seu enfermeiro.E temos recursos (médicos) para isso;
2º, que estes dois profissionais se centram no cidadão enas suas necessidades e potencialidades. Trabalhando verdadeiramente em equipa. Sem outros interesses ou ambições;
3º, que estas respostas se verificamna proximidade. Ou seja, que o cidadãoque vive na “serra”, em regra, não esteja obrigado a ter um médico ou enfermeiro com utentes que residem junto ao mar. Se fossem todos saudáveis, tudo bem, deslocavam-se ao “consultório”. Mas quando dependentes, em que são os profissionais que se têm de deslocar….Atentemos no que envolvevisitardiferentes famílias, embora da mesma freguesia. Poderá acontecer que 2 médicos e 2 enfermeiros tenham2 utentes vizinhos em ambas estas distantes localidades (mar/serra). Nesse caso, requerem-se2 viaturas, 2 motoristas, 4 profissionais, etc.para irem todos aos mesmos locais.É este o modelo que tem sido defendido peloslobiesda área. Os de lá e os de cá;
4º, que em cada equipa de saúde exista pelo menos 1 médico e 3 enfermeiros. Nos países mais a norte chega a ser de 1 para 7!