Diz a lenda que um homem inocente foi condenado à forca. Em desespero, exclamou: “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.” Misteriosamente, quando o condenado estava prestes a sofrer a dramática punição, um galo assado ergueu-se no prato e cantou. O homem, sério, inocente e trabalhador foi absolvido e continuou a sua vida sendo poupado à injustiça da justiça da época. Esta é a lenda do “Galo de Barcelos” oriundo da cidade onde garantimos mais um momento histórico. Na passada quarta-feira o “galo” cantou para Leonel Pontes e sua equipa mostrando o quanto trabalham e merecem o êxito que alcançaram. O Marítimo está presente em mais uma meia-final. Eu estou feliz porque a esmagadora maioria dos madeirenses está feliz! Seria injusto termos ficado em segundo num grupo que dominámos, mesmo com o calendário mais difícil, pois jogámos duas vezes fora (Estoril e Barcelos), no recinto de equipas da primeira liga. Nos arredores do Lisboa só não ganhámos por manifesta infelicidade e na cidade do galo-herói vencemos com inteira justiça. Pelo meio, uma vitória caseira contra o modesto, mas galhardo, Sporting da Covilhã, equipa que se bateu com todas as forças que tinha. Nós não temos “bestas negras” nas meias-finais porque disputamo-las sempre com o intuito de passar à final. A grandeza tem destas coisas e prova que o nosso sangue é totalmente madeirense porque nós caímos mas levantamo-nos sempre. Eu tenho a hora de já ter assistido a duas finais de taças de Portugal nas quais o Marítimo esteve presente e representou, com dignidade e valentia, a Madeira e os madeirenses. Tenho fé de que esta época voltemos às finais . Para ganhar. A minha felicidade dura desde domingo, aquando da conquista do titulo regional pelos iniciados do Marítimo. Os nossos miúdos, comandados por Marco Camacho e capitaneados por Pedro Pelágio, têm qualidade assinalável. Venceram o campeonato sem perder um único jogo, tendo sofrendo apenas dois golos, marcados pelo terceiro classificado, porque o segundo nem chegou à nossa baliza. Esta equipa tem também um significado especial para mim porque nela joga o filho do José Didio, meu amigo de infância. Parabéns miúdos. P:S. Termino discordando inteiramente de um artigo escrito por Miguel Sousa Tavares, num jornal nacional, no passado dia 20 de Janeiro. Este senhor disse que o nosso Estádio não enche e que a relva é má. Bateu na porta errada, certamente. No próximo domingo dar-lhe-emos a resposta.

Luís Filipe Santos Adepto do Marítimo