Este mês de Janeiro, a Madeira está, mais uma vez, nos radares da Vela internacional, por ocasião da largada da 2.ª etapa da regata transatlântica Transquadra promovida, localmente, pelo Iate Clube Quinta do Lorde. Com efeito, aquela que é considerada a mais antiga transat francesa para velejadores amadores a passar pelos mares da Madeira, tem vindo a promover o destino junto de um universo cada vez mais extenso, não só na promoção directa, através dos diversos agentes de comunicação e imprensa internacionais que fazem a cobertura deste evento, como também através das centenas de visitantes, na sua maioria franceses, que, juntamente, com os tripulantes das cerca de 80 embarcações, permanecem na região, durante alguns dias, aliando à participação do evento, o gosto pela descoberta dos encantos das nossas ilhas, exercitando em pleno o trinómio turismo-ambiente-desporto e vertendo na economia local, o produto dessas experiências. Esta regata faz parte do calendário anual de provas associadas da Associação Regional de Vela da Madeira, pelo que, e em conformidade com a entidade associada organizadora, a ARVM presta apoio ao nível da cedência de equipamentos, casos de balizas (tratam-se de bóias de regata), ferros e cabos, binóculos, mastro de sinais, rádios VHF e afins, e dos seus recursos humanos especializados, auxiliando a organização da prova, no processo de preparação das embarcações e tripulantes, integrando a comissão de regatas juntamente com elementos da Federação Francesa de Vela. É, por isso, inequívoco o interesse em criar condições para a captação deste tipo de eventos, com evidente capacidade de gerar receitas para a economia local. Porém, este esforço não se deve esgotar na captação de regatas internacionais, mas também, na promoção de estágios internacionais, casos dos meetings de preparação olímpica, de treinos ao nível de selecções e atletas olímpicos, de eventos tutelados pelas Federações de Vela, com vista a potenciar o alto rendimento desses atletas, por forma a esbater a sazonalidade do destino e a associar a prática desportiva ao turismo, permitindo simultaneamente, que a Vela Regional também possa conviver com estas dinâmicas, e daí tirar os devidos proveitos. Com efeito, há histórico nesta matéria, e que data do ano 2000, nomeadamente, aquando da celebração do protocolo de utilização das instalações do Iate Clube Quinta do Lorde, celebrado entre este clube, o Governo Regional e a, na altura designada, Associação Regional de Vela, Canoagem e Remo da Madeira, e onde se atribuiu àquele clube náutico, uma verba até 2,5 milhões de euros, a fim de financiar a construção do acesso ao mar, marina e instalações de apoio a actividades náuticas de cariz desportivo, tendo como contrapartidas a disponibilização até ao ano de 2020, de hangar para embarcações de escola de Vela aberta à população em geral, de alojamento até 250 noites/ano, sujeitas à disponibilidade da unidade hoteleira, destinado aos praticantes de actividades náuticas, integrados em estágios promovidos pela Associação e participantes em provas náuticas nacionais e internacionais, para além de um conjunto de outras contrapartidas, e que neste momento representam um activo concreto para uma maior competitividade na captação deste tipo de eventos, justificando assim, o apoio concedido, aquando da construção daquela infra-estrutura náutica. Augura-se por isso, bons ventos a Leste, na prossecução de uma estratégia de promoção da Vela, quer no plano local, através da disseminação da modalidade pelo território regional que dispõe de condições naturais com indubitável potencial, quer no plano internacional, convergindo interesses na assumida promoção de uma modalidade que mais do que um desporto, é um catalisador na captação de rendimentos e investimento estrangeiro, beneficiando quer a iniciativa privada implicada com a Vela, quer toda a cadeia de valor local, com evidentes benefícios para o território e para a população.

Sérgio Jesus Presidente da AVM