Este já não é o tempo para divisões. Já o foi. O momento já passou. No momento certo, há quase um ano atrás, houve quem, como eu, discordou veemente com a estratégia delineada pelo atual Presidente. Marquei a minha posição e fiz o que a minha consciência me ditou. Mas, por mais que discorde da forma como conduz o PS-M, não posso ficar calado perante aqueles que, em plena fase pré-eleitoral, decidem atacá-lo, crentes que destroem apenas o líder, dizimam o PS perante uma opinião pública que já não nos vê com bons olhos.
No momento certo, quando todos falavam sobre o cenário de eleições antecipadas, sabendo que um Congresso do PSD poderia ter apenas dois desfechos – a implosão ou a consolidação –, o PS teve a oportunidade e o timming certos para olhar para dentro, refletir, discutir, decidir e atuar. E, nessa altura, aqueles que apelaram a uma profunda reflexão, que pediram que nos preparássemos, que pediram que o escrutínio do povo validasse uma estratégia que pecava por uma imensa fragilidade na sua concretização, nessa altura, encolheram-se todos à sombra de promessas feitas à medida da necessidade para segurar uma direção que demonstrou não estar à altura do desafio.
Os mesmos que nessa altura vilipendiaram quem se pronunciou contra a direção, defendendo promessas e vendendo utopias que assentavam única e exclusivamente em sondagens pouco credíveis, mas que serviam o momento, são os mesmos que agora fazem um finca-pé incoerente objetiva e temporalmente.
Tivemos tempo para reunir os órgãos e discutir estratégias de coligação, as condições em que essa coligação se deveria manter ou destituir, e decidiu-se gritar a plenos pulmões no topo de um pico que a mudança estava à porta, na esperança de que esse grito ecoasse sem fim no pensamento dos madeirenses e, de alguma forma, os convencesse, ainda que sem um projeto credível. Aqueles que decidiram barricar-se numa estratégia fraca há um ano, não têm moral para vir agora criticar a direção em véspera de eleições. Agora é tempo de unir e mobilizar a estrutura na luta que se anuncia cada vez mais difícil.
Orlando Fernandes