Muito nos últimos anos, meses e mesmo dias se tem discutido sobre o futuro da companhia e se a mesma deve ou não ser privatizada. Analisando os números dos últimos anos, parece não restar muitas dúvidas. Uma empresa que acumula tantos prejuízos de anos e anos de gestão, digamos menos profissional (para ser simpático) não pode continuar nas mãos do estado. Neste caso, poderia estar a falar da TAP, como da CP, Metro ou Carris que o problema é semelhante... Mas voltando à nossa companhia de bandeira, dizer o seguinte: uma empresa em que os seus colaboradores (pelo menos os mais antigos) acumulam vantagens inacreditáveis para si, família e amigos pode ser sustentável? Uma empresa onde o seu pessoal - principalmente, os pilotos têm condições remuneratórias que não estão adequadas ao mercado, pode ser saudável a longo prazo? Uma companhia onde os atrasos são sucessivos e a satisfação dos clientes naturalmente afectada, pode ambicionar ter uma visão de longo prazo? (para o mercado da RAM talvez não haja problema, porque o oligopólio é uma realidade); Uma empresa onde os sindicatos são agentes preconizadores de conflitos constantes com a administração da empresa e/ou estado, pode ter futuro? Enfim, infinitos problemas que no privado podem acontecer e acontecem, mas não com esta amplitude de todo. E porquê? Simples, na minha opinião. Porque todos os colaboradores no privado entendem que se a empresa não gerar resultado, o seu ordenado do mês seguinte e seguintes fica em risco, enquanto na TAP os sindicatos sabem que podem reivindicar cada vez mais direitos (esquecendo-se muitas vezes dos DEVERES) e ao final do mês os salários dos sindicalistas e dos colaboradores da TAP chegarão, nem que seja com mais uma (talvez natural) injecção de capital do estado - i.e. Contribuintes! Por esta razão específica e por outras, talvez com menos relevância que esta, mas não menos importantes, como a eficiência operacional e a atenção ao cliente, que sou a favor da privatização. E mesmo o argumento que a empresa é estratégica para o País, porque garante a ligação aos Países onde temos Emigrantes e porque garante a continuidade territorial em relação às Regiões Autónomas, não me convence. Contudo, tenho dúvidas que alguém (ou seja, qualquer investidor) vá querer extinguir linhas rentáveis como estas. Mas respondo a essas “dúvidas” dizendo: existe um caderno de encargos para a venda que serve para precaver estas situações, mas não para englobar as exigências caricatas dos sindicatos aquando da primeira negociação falhada com o governo, em troco do cancelamento da greve! Com estas exigências plasmadas em tal documento, não haverá investidores interessados na compra dos 66% do capital da TAP e aí voltamos ao mesmo - paga o CONTRIBUINTE! Mas, sim, não sou insensível e percebo as reivindicações - os benefícios jamais serão os mesmos - porque terão que ser ajustados à realidade! Penso que foi isto que aconteceu em Portugal, à restante população, nos últimos três anos. Dito isto, só espero que a TAP seja privatizada o quanto antes (é só a única companhia Europeia de bandeira que falta privatizar) para se tornar mais eficiente e garantir um verdadeiro serviço a quem (ainda) nela escolhe viajar.

Tomás Gonçalves Gestor