Os finais de ciclo – não raras vezes – trazem consigo o prenúncio de tempos conturbados, ideia sintetizada na frase “depois de mim, o dilúvio”. Foi assim no período anterior à queda da longeva monarquia francesa e consequente implantação republicana, da mesma forma que o terminar do século XX, anteciparam muitos, traria consigo o final da história. Assim é, porque somos naturalmente avessos à renovação, especialmente quando confrontados com o conforto do quotidiano que já conhecemos, com a segurança das estruturas de poder vigentes. Por isso, renovar não é fácil, mas é fundamental. Ao PSD Madeira traçaram o mesmo destino fatídico, de que não sobreviveria à escolha de uma nova liderança e que poderia continuar hermeticamente selado da vontade dos seus militantes. Está visto como estavam enganados, não só quanto ao PSD, mas, principalmente, em relação aos madeirenses. Ora, é claro que se iniciou um novo ciclo político na Madeira, mas é inegável – ainda que, menos apontado – que houve uma renovação do interesse na política e, consequentemente, da confiança depositada pelos cidadãos naqueles que os representam. Das redes sociais às capas de jornais, das tertúlias aos debates televisivos, da esquerda à direita do espectro político, nunca se pensou tanto o futuro da nossa Região, e esse facto, independentemente do partido, é positivo para todos os madeirenses. Da redução do financiamento partidário, à redefinição da liberalização do transporte aéreo, passando pela valorização do nosso sistema de saúde e terminando na urgente renegociação do plano de assistência financeira, todos serão poucos para os desafios que o futuro nos reserva. Assim, começo 2015, da mesma forma que terminei 2014, antecipando que não será fácil, mas seguro de que valerá a pena.
João Paulo Marques Advogado