A família é, ou deveria ser, uma entidade insubstituível em termos da educação, do afeto e da proteção dos seus filhos. É verdade que, nesta responsabilidade parental, a escola procura auxilia-la, todavia, nunca poderá substituir o seio familiar. A presença da família na escola é fundamental. O acompanhamento do educando, o diálogo com os diretores de turma, a interação com os professores e a criação de uma relação de compromisso com a escola tornam-se fatores importantes para o sucesso dos alunos. No entanto, considero ainda mais relevante a presença dos pais e encarregados de educação em casa a cumprir, no seu contexto relacional único, a sua missão educadora. O professor Juan Carlos Tedesco escreve, numa das suas obras, que “as crianças chegam à escola com um núcleo de base de socialização insuficiente para poderem enfrentar com sucesso a tarefa da aprendizagem. Quando a família socializava, a escola podia ocupar-se de ensinar”. A “socialização primária” deverá ser feita em casa de modo a reduzirmos as situações em que tantos alunos cheguem à escola sem as competências básicas como por exemplo: cuidados de higiene, vestuário adequado, hábitos alimentares, respeito pelos outros, cumprimento de regras, capacidade para distinguir o que está certo do que está errado, postura e consciência moral. Os pais devem valorizar o seu protagonismo na socialização dos seus filhos, pois um aluno que não vive a autoridade amorosa da família terá enormes dificuldades não só de integração na escola, de relacionamento com os colegas e com os professores, como também em termos das aprendizagens e do sucesso escolar. Estas questões, em grande parte, estão relacionadas com a problemática social das famílias e nunca é demais lembrar que os problemas sociais não são problemas escolares. A escola não resolve problemas sociais, encaminha os casos, garante material escolar, alimentação e transporte, mas não resolve as situações dramáticas dessas famílias. Por isso, transfigurar os dramas sociais das famílias em problemas da escola é uma forma pouco séria dos governos fugirem às suas obrigações e de empurrarem a realidade para debaixo do tapete.
Rui Caetano Professor