Desde que Miguel Albuquerque (MA) foi consagrado como novo líder do PSD-Madeira, instalou-se na opinião pública de forma quase unânime o vaticínio de que estamos perante o próximo Presidente do Governo Regional. Como sempre sucede quando o óbvio se confirma, são muitos os que fazem o discurso do “eu sabia, eu avisei, eu escrevi”. É claro que só poderia ser este o vencedor das eleições internas daquele partido, é certo que daqui a alguns meses MA conquistará a sua primeira maioria absoluta em eleições regionais, (provavelmente a primeira de muitas). Há quem já prognostique um longo consulado de “laranjada light”, condenando os partidos da oposição ao interminável prolongamento duma já longa travessia do deserto. Há alguns meses não parecia assim tão evidente este desfecho: a perda de espaço mediático, a campanha morna e pobre de conteúdo, o modesto desempenho nos debates, faziam crer que a “onda” MA estava a perder força. A luta parecia renhida e o possível vencedor uma incógnita. Perante este cenário, os principais partidos da oposição foram encenando namoros e promessas de casamento, sem nunca verdadeiramente procurarem uma efectiva plataforma comum; ao centrarem os seus ataques no moribundo “jardinismo” e no seu Único Importante protagonista, colando-lhe os candidatos como se fossem os vários braços do mesmo polvo, ao invés de investir numa pré-campanha de ideias e propostas para o futuro da Madeira, permitiram que quase todo o “tempo de antena” na Comunicação Social fosse ocupado pelo PSD. Erro crasso! Agora, perante a evidência de que o PSD afinal não está esfrangalhado e em autofagia, PS e CDS ensaiam respostas e reacções, com resultados que oscilam entre o desastre e a inconsequência. O PS, refém dum líder que se recusa a remover os antolhos, clama por maioria absoluta enquanto ameaça aliar-se com esse “case study” chamado José Manuel Coelho. Se as gargalhadas se transformarem em votos, Victor Feitas já ganhou! Quanto ao CDS, apostou tudo na antecipação do seu Congresso e no lançamento duma dinâmica de vitória alicerçada numa renovação cosmética, bordada à volta dum líder cujos melhores dias também já passaram. Nada mais normal que vir agora atacar MA por chamar renovação à manutenção de todas as “capelinhas” do PSD, criticá-lo por pedir maioria absoluta, condená-lo por se preparar para desfraldar todas as bandeiras do CDS, pintando-as de laranja com irresoluta desfaçatez. Depois dum primeiro prurido de “virgem ofendida” na redução do ominoso “Jackpot”, o CDS tenta emendar a mão e reorientar o discurso, que cada vez mais será o de evitar um Governo de partido único, que tenderá a incorrer nos mesmos erros do passado, surgindo o CDS como o fio-de-prumo, que em coligação assegurará a governabilidade, em nome do superior interesse dos cidadãos. Daí a ser chamado de “partido-muleta” vai um pequeno passo e uma ténue fronteira... Então e soluções, e alternativas...? Não há, digo eu! É tarde, irremediavelmente tarde... Para a Oposição a oportunidade perdeu-se nos idos de 2014, esboroou-se por entre escaramuças, feiras de vaidade e projectos de sobrevivência política. Depois de tantos anos de anormalidade democrática, bastará a MA cumprir os serviços mínimos a nível do diálogo e do respeito institucional para passar com distinção em todos os exames. A memória do povo é curta e selectiva, aos eleitores não interessa saber quem é o dono das ideias e das propostas, mas sim quem é capaz de executá-las, e é nessa urna que o voto cai. Quanto aos dois senhores que não souberam (ou quiseram) encabeçar e corporizar a alternativa, entraram nesta aventura como os irmãos Dupond e Dupont (de Hergé), que mutuamente se atrapalham e dizem as mesmas coisas alterando apenas a ordem das palavras. Por sua vontade, acredito que daqui a muitos anos serão iguaizinhos a Statler e Waldorf, os dois velhos rezingões dos Marretas, tranquilos no seu camarote a apontar o dedo para o palco enquanto vociferam: - Péssimo espectáculo! Eu é que devia estar ali... Será também essa a vontade dos militantes?

Raul Ribeiro