É hora de abrir regos.

1. Quase todos os partidos querem eleições regionais quanto antes. Estranho. Que o PSD-M assim pense é lógico. É normal que queira aproveitar a dinâmica das ‘directas’, sem dar tempo às manobras de desgaste político a lançar pelos adversários com memória. Que a oposição, com excepção do lúcido PCP, embarque nesta cantiga é caricato. “Qual é a pressa?”, diria Seguro, sobretudo depois da miserável perda de oportunidade de intervenção junto dos madeirenses enquanto a maioria exorcizava fantasmas, ajustava contas e limpava armários. Alguns esbanjaram um ano em delírios inconsequentes e divertiram-se com a desgraça alheia, mas não foram capazes de trabalhar o descontentamento, propor alternativas credíveis, nem alianças inquestionáveis.

2. Quase todos os partidos querem que a Região vá a votos a 29 de Março, em pleno período de férias escolares da Páscoa. Ou ignoram haver eleitores que descansam nessa altura ou então querem manter os altos níveis de abstenção. Uns e outros sabem quem é o autor do desabafo: “Seria uma fraude se o PS fizesse primárias no período de férias para uma parte significativa dos portugueses”? A propósito, um inquérito em curso no dnoticias.pt revela que os eleitores preferem eleições a 25 de Abril!

3. O Presidente da República vai reunir esta quinta-feira com os partidos que foram ouvidos na semana passada pelo seu Representante na Região. Comprovadamente, um dos dois cargos é desnecessário.

4. O PS-M surge nesta pré-campanha como o partido da solidariedade, disponível para dar boleia a partidos actualmente moribundos, sem projecto de governo para a Região e hostis ao CINM. A anunciada aliança dos sobreviventes valerá mais que a soma das partes que temem disputar as eleições isoladamente ou visa somente motivar ruídos para que o imperdoável desleixo histórico passe despercebido? De que estão à espera aqueles que não querem que o PS-M fique para a história pelos piores motivos?

5. Quase todos os partidos nacionais falam mais de Presidenciais do que Regionais. Por aqui se vê a importância que dão à Autonomia, bem como o incómodo na abordagem a um sufrágio que, apesar dos repetidos avisos, surge agora como que inesperado, tal o atabalhoamento no trato.