
Alberto João Jardim demitiu-se há menos de uma semana, Cavaco Silva ainda cumpre as formalidades para convocar eleições, mas há muito que na Madeira se verifica uma drama político curioso: a maioria dos protagonistas estão órfãos do eterno líder ou adversário.
Por mais estranho que possa parecer, é a oposição que se mostra mais desamparada e tarda em acertar com o novo discurso e, sobretudo, com a nova estratégia que será necessária para enfrentar um opositor que seguiu a lógica da banca e parece apostado em apresentar-se, não como PSD, mas debaixo da sigla NP, 'Novo Partido'. E como aconteceu com o verde do BES, o tom laranja é mais suave, mais simpático e o design mais moderno.
Décadas a enfrentar o mesmo alvo, que facilitava a tarefa ao ser responsável por quase todo o tipo de atropelos ao convívio democrático que se possa imaginar, retirou espaço para a criatividade. E é isso que se exige, com grau de urgência máximo, porque as eleições são já daqui a uns dias.
As queixas de plágio nas propostas até pode ser justa, mas não pega. Não vai render votos dizer... 'Nós sempre defendemos isso'. É verdade, mas os eleitores raras vezes olham para o passado.
A tarefa é complicada, sobretudo porque pela frente está quem também enfrentou o adversário de sempre, mas a surpresa nunca será desculpa. Alguém acreditava que o resultado das eleições do PSD seria outro? Era só uma questão de fazer contas. Aritmética de quarta classe que deveria ser obrigatória para qualquer político.
Ainda mais curioso é que essa orfandade também chega à comunicação social. Muita gente ainda não percebeu que o tempo é outro e também vai obrigar a outras posturas.
Quarenta anos são mesmo muito tempo...