“A nossa estratégia de turismo está a resultar e é uma parte vital do plano económico de longo prazo do governo. Estamos comprometidos em manter esta dinâmica e a fazer tudo o que pudermos para ajudar uma indústria que está prevista dobrar de dimensão ao longo da próxima década”. Estas são palavras recentes de Helen Grant, ministra do Turismo de Inglaterra, a propósito das previsões para 2015. Neste enquadramento, surge a perspectiva da criação de quinhentos mil novos postos de trabalho, apenas no sector do turismo ao longo da próxima década, naquele país, justificando-se esta possibilidade com o “número excepcionalmente elevado de efemérides e eventos comemorativos a celebrar”. No panorama turístico, estão considerados os mais diversos motivos para o reforço da notoriedade do país e da atratividade turística junto dos mercados externos emissores. Só o Campeonato do Mundo de Rugby, em Setembro, deverá contribuir com cerca de mil milhões de libras para a economia, ao longo de seis semanas de jogos, em dez cidades inglesas. Outros tantos motivos reforçam a determinação do governo inglês: A comemoração dos oitocentos anos da Carta Magna; os 150 anos da publicação da Alice no País das Maravilhas; o quinquagésimo aniversário da morte de Sir Winston Churchill; o bicentenário da batalha de Waterloo; o 125º aniversário do nascimento de Agatha Christie; e a abertura de Dreamland de Wayne Hemingway em Margate, uma recriação do primeiro parque de diversões do mundo. É a cultura a ganhar a liderança na promoção do país. São os acontecimentos históricos que forçam a utilidade de uma estratégia nacional pensada naquilo que diferencia, que é exclusivamente único mas, ainda assim, acessível a qualquer interessado. É, também, uma forma de vender o país promovendo o conhecimento, qualificando a percepção dos consumidores, fazendo subir o nível da população em geral e induzindo na economia estímulos de variada natureza mas todos importantes para o interesse nacional. Madeira não é um espaço vazio de história. Não é um território ausentes de acontecimento marcantes. Não é um qualquer registo na história mundial. A Madeira perdeu, como todos vimos, apesar dos alertas realizados em vários palcos, a possibilidade de celebrar, condignamente, os 500 anos da Diocese do Funchal. Impõe-se recuperar o tempo perdido na preparação das comemorações dos 600 anos da descoberta ma Madeira e resta, como obrigação imediata, inventariar todos os outros momentos determinantes que por si, quando lembrados, potenciam crescimento, conhecimento e desenvolvimento. A Madeira tem tudo. Só precisa de acordar para esta realidade.
Eduardo Jesus Economista