Sempre me senti em casa no Estádio do Marítimo. Naquele espaço, antigo estádio dos Barreiros, vivi imensas emoções. E aprendi, pela mão do meu pai, a gostar, respeitar e sentir o Clube Sport Marítimo.
Muito cedo, há uns trinta anos atrás, comecei a frequentar o Estádio dos Barreiros. Nessa altura, para mim, era a casa do Marítimo, pois só lá ia para ver jogos dos Leões do Almirante Reis. As outras equipas regionais, confesso que nem dava por elas. Recordo que chegava cedo ao “caldeirão”, passeava pelo estádio todo, via as bancadas a encher, vibrava durante o jogo e saía bem depois do apito final do árbitro.
Durante o jogo, fruto das funções do meu pai como delegado ao jogo, ficava com frequência na escadas de pedra que davam acesso aos antigos balneários ou até na pista de terra.
Mas recordo também como eram, em casa, intensos esses dias de jogo.
Acordava já com uma sensação diferente, pois à tarde iria para os Barreiros. Logo depois do almoço, e após uma reza da minha tia-avó a pedir ajuda divina para o glorioso, era partir para o estádio. Uma vez no recinto, existem imagens que não se apagam: o papel onde eram embrulhados os tremoços; as capas das carteiras de fósforos, que no final do jogo recolhia para jogar à batota com os amigos; a entrada da equipa para o campo... E claro, as nossas equipas, umas mais competitivas, outras mais fracas, com jogadores com mais ou menos qualidade, derrotas e vitórias, na primeira ou segunda divisão, etc.
Hoje em dia, assistindo na nova bancada aos últimos jogos, tenho recordado toda essa época. E fico entusiasmado com o futuro! Sinto que foi “devolvido” um estádio, agora sim mais digno, à família maritimistas! E honra seja feita à persistência do atual presidente.
Li recentemente, numa crónica sobre o CSM, a seguinte frase: “O Leão nunca andará sozinho”... Assino por baixo! Desde sempre e para sempre, nunca deixarei de acompanhar o Leão do Almirante Reis!
E porque hoje é dia de um jogo grande no caldeirão, finalizo saudoso, com um dos grandes momentos da Rádio Portuguesa: o programa “Rádio Totobola”, na altura emitido na manhã do jogo a partir da Emissora do Cambado, no Pico dos Barcelos, com o inconfundível Acácio Pestana e a sua indispensável pergunta, na voz do Nelson Ned, “O que é que você vai fazer domingo à tarde?” a que se seguia a resposta. “Com certeza que vai aos Barreiros ver o Marítimo!”...Até logo
Bernardo Vasconcelos Professor de Ed. Física