EHJ A saúde é o bem mais precioso que temos. É inadmissível que alguém fique impedido do acesso a cuidados de saúde apenas por falta de meios financeiros para os adquirir. Cada cidadão, em face dos seus rendimentos enquanto saudável e “produtivo”, deverá “descontar” para o caso de vir a necessitar, sem ter de nesse momento pagar. É uma espécie de seguro colectivo de saúde gerido pelo Estado, em representação de todos nós. É assim que o nosso Sistema de Saúde está concebido. Todos contribuem para que alguns, em função das suas necessidades, possam beneficiar. E como não sabemos quem, nem quando iremos adoecer… Um sistema desta natureza, em que muitos contribuem, se bem administrado, não se tornará insustentável. A não ser que alguns (singulares ou colectivos) dele se venham a aproveitar. Por exemplo, comprar (pagar) serviços a privados de modo desregulado, ilimitado, “à peça” e sem assegurar que efectivamente a capacidade pública instalada estivesse esgotada tem sido uma das principais razões do desequilíbrio económico-financeiro das nossas organizações. Por uma razão muito simples, se uma pessoa ou organização passar a “facturar” em função do volume de serviços que “quiser” fornecer, estamos mesmo a ver o que naturalmente tenderá a acontecer… Por outro lado, tentar remeter os cidadãos de maiores posses para o sector privado, além de discriminatório significa, a prazo, “descapitalizar” e desqualificar o serviço público, alimentar as tradicionais “promiscuidades”, e beneficiar os infractores. Igualmente sujeitar, ainda que de modo subtil, apenas os mais pobres às “nebulosas” listas de espera públicas é injusto, desumano e, de muitos pontos de vista, perigoso. Por tudo isto, nenhum cidadão dever-se-á alhear destas preocupações. Afinal, o Serviço (Nacional ou Regional) de Saúde é, na sua génese e financiamento, de Todos e para Todos. O privado deve ser, salvo raras excepções, para Quando o Cidadão (às vezes) Quiser!