Isabel Vasco Costa Enquanto alguns jihadistas ajustavam contas em Paris e outros faziam explodir uma menina de dez anos matando várias pessoas, deu-se um outro ajuste de contas em Portugal, mais concretamente, entre algumas pessoas do Porto e outras de Lisboa. As notícias chegavam por telefone, e-mail, facebook... mas não “fizeram notícia” nos meios de comunicação. Eram notícias de família que têm interesse para as Famílias. Neste “ajuste de contas” não houve medo, e muito menos terror. Os factos começam no momento em que o filho de Camila, com oito anos, padece de fortes dores de cabeça. Em breve se conhece a causa: um tumor no cérebro. No colégio, o capelão que é também seu professor, dá-lhe especial atenção e nasce entre ambos uma grande amizade. Os meses passam e o rapazinho começa a faltar às aulas e a sujeitar-se aos tratamentos habituais, enquanto o seu amigo capelão é transferido para Lisboa. Esse afastamento não impede que continuem a receber notícias um do outro. O final do nosso doente aproxima-se e dizem-lhe que o irmão do seu amigo, casado e com filhos, está também com um tumor cerebral. Então, num momento em que lhe custa suportar a máscara de oxigénio, diz que oferece tudo isso por esse pai que não conhece. Em Lisboa, toda a família do sacerdote ficou enternecida com a generosidade desta criança de oito anos. Quando chegou o momento da “partida”, deslocaram-se ao Porto. O antigo capelão do colégio celebrou uma Missa de corpo presente com o seu irmão doente, a mulher deste e a mãe de ambos a assistir. Voltaram todos para Lisboa, onde o enfermo foi operado à cabeça com sucesso, embora ainda continue hospitalizado. No início deste ano de 2015, é de esperar que esta modalidade de ajustar contas contamine muitas famílias.