“Não estou de acordo com o que dizes, mas lutarei até à morte para que tenhas o direito de dizê-lo”. A frase não é minha, é de Evelyn Beatrice Hall em “The Friends of Voltaire”, mas traduz claramente o que penso, e o que venho dizendo há muito tempo. A liberdade de imprensa não é relativa. É um valor absoluto, ou existe ou não existe. Haverá casos de abuso, que se podem gerir de várias formas: não ver/ler, não comprar, recorrer aos tribunais, promover boicotes. Até podemos não estar de acordo com o que as pessoas fazem da sua liberdade, mas é mesmo assim: enquanto não limitar a liberdade de outros, trata-se de um valor absoluto. Não podemos estar sempre preocupados com o politicamente correcto, não podemos estar sempre preocupados com o que os outros pensam/vão pensar de nós. Isso é o que menos interessa. Vamos todos crescer, e deixar de viver a nossa vida para satisfazer os outros. Não temos de estar de acordo com Charlie, não temos de gostar da mensagem, ou do formato da mensagem, que transmitia. Mas isso é o que interessa menos: o importante é que temos a obrigação de garantir que Charlie (e todos os outros Charlies do mundo) tenham o direito de existir. Não temos, no entanto, a obrigação de os tornar sustentáveis. Cabe-nos, apenas, garantir que lhes são dadas as mesmas condições de aceder aos seus públicos, e que todos são tratados da mesma forma, perante a lei e perante a administração. Para evitar desastres como o da semana passada, devemos todos pensar no que podemos fazer para que o mundo seja um melhor lugar para viver. Lembrando-se sempre que impor a nossa maneira de ver o mundo aos outros nunca é uma boa solução, e que é sempre mau misturar religião com comportamentos públicos e com a criação de modelos comportamentais. A religião é algo que deve ser intrínseco a cada um de nós, e que não deve vivido fora e para fora da nossa cabeça. Porque quando se criam padrões de comportamento para os outros, mais cedo ou mais tarde acabar-se-á na jihad. [email protected]
Roberto Loja