Juvenal Pereira - Arlete, anda ouvir o que estou a ler na internet. - Já estou a ir…sei que gostas de ler coisas para rir. - Isto não é para rir, mas convém ouvir. - Não sei se já tinha este” e-mail” há algum tempo ou se é recente, mas trata-se do discurso de um político eleito presidente do partido. Escuta com atenção e vê se chegas à mesma conclusão. - Podes ler, vou procurar entender. -“ Minhas senhoras e meus senhores, folgo por ter saído vitorioso, mas sei que o meu caminho no futuro será deveras espinhoso. Isto, se eu quiser dotar o partido de maior reputação, de credibilidade e de valores, há muito tempo exigido pelos nossos eleitores. É muito confortável e agradável para mim, olhar em redor e ver todo este frenesim. Bandeiras no ar e toda a gente de contentamento a se manifestar. Mas o mais importante e significativo, é quando lá em casa as famílias acharem motivo, essas sim, para darem vivas ao nosso partido.” - Muito bem dito, marido. - Continua a ouvir, Arlete. Eu nunca li coisa (política) tão linda na internet! - “Tenciono olhar de perto as contas do nosso partido. Não quero que digam de mim o que se ouve algures por aí de que existem políticos a fazerem vida de ricos à custa dos partidos. Os dinheiros do partido advêm, minhas senhoras e meus senhores, dos bolsos e do suor dos trabalhadores. Nos gastos temos de ser rigorosos, pois há pais que tiram o pão da mesa dos seus filhos para poderem pagar os seus impostos.” - Marido, quando oiço “isto”, mais me convenço que vivo num cantinho do Paraíso! - Deixa-me acabar, o discurso está a terminar. - “Também se um dia for eleito presidente deste País ou desta Região, quero deixar bem clara a minha intenção: Não quero eternamente o PODER, para o que de bom eu fizer, não ter tempo de o desfazer. Não quero criar elites privilegiadas que, normalmente, vivem e enriquecem à custa daqueles que não têm nada. E também porque não quero criar a dúvida na SOCIEDADE de que estou no PODER, não para o povo defender, mas para me proteger sob a eventual capa da incompreensível imunidade. Para concluir, meus amigos, é indispensável dar uma volta de 360 graus ao nosso partido. Agir e não ficar pelo prometido… mudança de “moscas “é, reconheçamos, algo repetitivo. Prosseguir com a mesma orientação vai levar o povo – com toda a razão – no futuro próximo a optar pela abstenção. Tenho dito.” - Foi um discurso bonito, marido, só não entendi o que no fim foi dito. O povo vai optar pela abstenção? Será que nesse País ou nessa Região não existem partidos da oposição? - Talvez não… Ou estão divididos, enfraquecidos, sem uma figura emblemática, carismática, capazes de o eleitorado lhes conferir credibilidade e consideração.