Luís Reis Num dos meus passeios pelo paradisíaco Santo da Serra, comentava mentalmente com o meu equídeo companheiro. - Numa Região carente em infraestruturas mormente no que concerne a saúde, refiro-me no concreto a um hospital que tanta falta nos faz, enterrou-se milhões nesta aberrante lagoa que mais não tem feito do que encher os bolsos a uma certa classe de parasitas. Subitamente, deteve-se e estremeceu, não pelo abanar dos arbustos pois já está habituado, mas indignado pelo que lhe acabava de transmitir. Imediatamente fez-me chegar o seu pensamento. - Meu dono e amigo: só de burros, pois, cavalos, não fariam tamanha asneira. Aos poucos, com receio de o enervar e sofrer as respetivas consequências, lá o fui elucidando de alguns dos motivos que nos levaram a este descalabre financeiro. Dei como exemplos a marina do Lugar de Baixo, as piscinas degradadas, os Centros de Saúde que não funcionam e os subsídios. Tentei particularizar o pasquim regional mas, como não reagiu, deduzi que não tinha conhecimento do que se tratava. Não me surpreendeu tendo em conta a sua pouca relevância. Todavia, ao lhe dar conhecimento que o Rei das Sanitas foi um dos que mais beneficiou com esta lagoa, aí, arrebitou as orelhas. Pensei: é desta que vou para o chão. Tal não aconteceu, pois, conhecendo o seu temperamento e como somos amigos, consegui o acalmar. Deu-me a entender já ter ouvido “relinchar” do dito cujo. Constatei, também ter ficado surpreendido, por este mafioso não estar preso. Transmiti-lhe que se tratava de um intocável do caduco regime que, finalmente chegou ao fim. Ao ter esse conhecimento e pelo abanar da cabeça, denotei-lhe uma certa satisfação. Aparentemente calmos apesar do tempo agreste que se fazia sentir, continuamos a nossa caminhada naquele fim de tarde. Inesperadamente, alongou os andamentos e uma vez mais arrebitou as orelhas. Pensei ter-se assustado com o motociclo que passara a grande velocidade. Pouco mais tarde, ao conduzi-lo aos seus “aposentos” fiquei a saber os motivos do seu comportamento. Revoltado que estava com tudo o que acabara de saber, queria rapidamente pôr fim à nossa troca de impressões. Mesmo assim, era bem visível que continuava pensativo. Tive o pressentimento tratar-se da lagoa. Pelo seu olhar, tive a perceção que me perguntava. -Meu dono e amigo, será que algum dia iremos ver essa obra concluída? Penso lhe ter passado a mensagem. - Meu amigo, se isso acontecer, vamos ser tão velhinhos que, pelos nossos meios não conseguiremos lá chegar.