A propósito das eleições regionais para Líder do PSD Madeira, lembrei-me do Dilema dos Prisioneiros (nota 1)…

O Dilema dos Prisioneiros é um jogo muito famoso que representa bem o dilema entre cooperar e trair. Resumidamente: Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia não tem provas suficientes para os condenar, então separa os prisioneiros em salas diferentes e oferece a ambos o mesmo acordo:

1. Se um dos prisioneiros confessar (trair o outro) e o outro permanecer em silêncio, o que confessou, sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos. 2. Se ambos ficarem em silêncio (colaborarem um com ou outro), a polícia só pode condená-los a 1 ano cada um. 3. Se ambos confessarem (traírem o comparsa), cada um leva 5 anos de cadeia.

Cada prisioneiro faz a decisão sem saber a escolha do outro - eles não podem conversar. Como o prisioneiro vai reagir? Existe alguma decisão racional a tomar? Qual seria a sua decisão?

O dilema do prisioneiro é um problema da teoria dos jogos e um exemplo claro, mas atípico, de um problema de soma não nula. Neste problema, como em outros muitos, supõe-se que cada jogador, de modo independente, quer aumentar ao máximo a sua própria vantagem sem lhe importar o resultado do outro jogador. (alguma semelhança com a realidade é pura coincidência)

Não há solução para o Dilema do Prisioneiro. De um ponto de vista puramente do interesse próprio (aquele que não toma em consideração os interesses do outro prisioneiro), é racional, para cada prisioneiro, confessar — e se cada um fizer o que é racional, do ponto de vista do interesse próprio, ficarão ambos pior do que ficariam se tivessem escolhido de outro modo.

As técnicas de análise da teoria de jogos padrão, podem levar cada jogador a escolher trair o outro, mas curiosamente ambos os jogadores obteriam um resultado melhor se colaborassem.

Infelizmente (para os prisioneiros), cada jogador é incentivado individualmente para defraudar o outro, mesmo após lhe ter prometido colaborar. Este é o ponto-chave do dilema.

O dilema prova que quando cada um de nós, individualmente, escolhe aquilo que é do seu interesse próprio, pode ficar pior do que ficaria se tivesse sido feita uma escolha que fosse do interesse colectivo. Os resultados mostram que os programas baseados em estratégias cooperativas atribuem a seus praticantes maior capacidade de sobrevivência do que os programas baseados em estratégias apenas predatórias ou competitivas.

Já tivemos um sinal claro de um candidato neste sentido (cooperação; interesse colectivo); E aquele que me parece reunir melhores condições para a Cooperação e interesse colectivo é, precisamente, o candidato Manuel António Correia. Contudo, apelo: temos, todos, de contar com todos. Cooperando e juntos, seremos muito mais fortes… Temos capacidade política e valores dentro do partido, suficientes, para resolver qualquer questão ou problema da Região.

[1] O Dilema dos Prisioneiros foi inventado em 1950 por Merrill Flood e Melvin Dresher, e foi adaptado e divulgado por A.W.Tucker.

Victor Bettencourt Calado, militante PSD Madeira nº 12916