Juvenal Caldeira Com o pessimismo e revolta que me caracteriza, sinto necessidade de exprimir o meu descontentamento. Só que o alvo do meu descontentamento não tem rosto.
Mais fácil é quando temos um rosto para confrontar. Não posso confrontar um país, que obriga os nossos jovens e menos jovens a partir. País esse que tanto amamos e tanto nos revolta. Talvez em ultima analise somos todos culpados. Sucessivamente elegemos políticos que não souberam criar condições de competitividade.... ou então os políticos estão-se marimbando para as políticas a longo prazo .
Sem dúvida que já estamos habituados a ver os nossos partirem. Tem sido assim ao longo dos tempos. Parece não haver nada de novo, nem há. Apenas surge esta nova realidade com outros contornos e outras implicações. Como se não bastasse o envelhecimento demográfico, que não sendo exclusivamente nosso, mas que aliado à saída em massa dos nossos jovens, torna esta realidade deveras preocupante e revoltante.
Lembro-me de há uns anos, uma velhinha dizer: «O sítio tá em nada, se uma vaca se soltar, não há homens que a prendam no palheiro.» Mas na época, havia mulheres e jovens, que com a sua valentia e necessidade, evitaram o colapso de toda a estrutura necessária à sobrevivência, passando assim a exercer as actividades que antes eram exclusivamente dos homens. Agora não só o sítio está em nada, como está a freguesia e o concelho.
Já só restam os velhos e os que estudam. E estes últimos a forma que vão finalizando os estudos partem. Ficam os velhos sem terem quem olhe por eles. A solidão na terceira idade é uma realidade que presencio no meu dia-a-dia. E penso que só tende a aumentar É uma nova realidade e temos que viver com ela. Espero que as estruturas de apoio aos idosos estejam preparados para esta realidade. E não só se lembrarem deles nos actos eleitorais.
Mas os políticos também provam uma dose do seu veneno. Ou dos seus antecessores. Principalmente as juntas de freguesia. Terão menos verbas e o mesmo trabalho, se não mais. A vereda têm que ser limpa, vivendo muitas pessoas ou poucas pessoas, a vereda não encolhe em função do numero de eleitores, já as verbas sim. E como é o organização de poder mais próximo da população... Mas como não se pode pegar no que resta da população e mete-los num condomínio. Resta-nos a esperança que aqueles que partiram, apesar de não ser fácil, que encontrem o que esta terra não é capaz de dar. Espero que os que vão e os que ficam, que não fiquem politicamente ignorantes. «A ignorância das massas é a principal força dos governantes» Eu diria , principalmente dos maus governantes.