Pedro Melvill de Araújo Tenho um conhecido, que se chama Pedro P. C..

É um conhecido meu, como tantos outros que me são mais ou menos conhecidos, este com a particularidade de nunca me ter conhecido, mas não deixa de ser um conhecido meu.

Entendido em diversos de profissão, ouvi dizer gestor de formação, que acha que sabe um pouco de tudo, e que por isso pode mandar em tudo, e em nada. Por exemplo: se alguém lá de casa leva um objecto novo, um quadro, p. ex., e diz que é melhor chamar o mestre Qualquer Coisa para pendurá-lo, lá o Sr. Pedro P. C.. diz que não, nem pensar, ele sabe muito bem como se desempenha essa tarefa, pois claro, muito melhor que o mestre Qualquer Coisa, que assim fica muito mais barato e com a crise que está, o faça você mesmo é que está a dar, basta ver a proliferação de livros de auto ajuda e auto aprendizagem que por aí pulula.

E começa a mandar toda a gente fazer alguma coisa.

E como ele gosta de mandar! Ai se gosta!

A mulher vai buscar o martelo, o filho procura os pregos, a filha, o papagaio e o cão procuram não atrapalhar, a sogra agarra no quadro no sítio certo. O Sr. Pedro P. C. tira bem as medidas (afinal sempre é entendido em diversos, como consta do resumo curricular) e prepara-se para pregar o dito prego.

A primeira batida vai direitinha para a parede, pois o Gestor entendido em diversos teve medo de acertar no dedo. A segunda e terceira acertaram no mesmo alvo, se bem que em sítios diferentes.

Após ter reclamado alto e bom som com toda a gente circundante que não sabiam fazer nada, lá conseguiu acertar no dedo. Depois de alguns impropérios a todos quantos o rodeavam e atentamente observavam, lá conseguiu estancar a sangueira e, já com dois dedos entrapados, voltou à carga sobre o pobre do prego que, coitadito, ainda não tinha percebido bem o que se passava à sua volta.

Após uma luta intensa, e após muitos adjectivos contra todos os incompetentes que não sabiam o que estavam a fazer e que só estavam a atrapalhar a sua enorme tarefa, lá conseguiu que o prego ficasse, não bem no sítio original, mas uns largos centímetros afastado, e descentrado da restante decoração, o Sr. Pedro P. C. dava o seu trabalho por concluído, olhando orgulhosamente para uma parede mais parecida com um campo minado, após a activação simultânea dos respectivos engenhos, dizendo ufanamente a toda a família, cão e papagaio incluídos, que aprendessem alguma coisa com ele, pois a sua passagem por esta vida não seria eterna, com muita pena sua.

É assim o meu conhecido Sr. Pedro P. C.

P.S. – P. Porta-Chaves é o seu nome completo, mas prefere usar P.C., para não ser confundido com o santo homónimo conhecido por andar com um chaveiro à cintura e por, como ele próprio o diz, não ter nada de santo, apesar do seu ar um pouco querubínico.