Henrique Costa Neves O último episódio que envolveu as Ilhas Selvagens teve tanto de insólito quanto de patético, lamentavelmente. Temos um Ministro, fraco e de triste figura, que compara as Selvagens a um Jardim Zoológico, escusando-se referir ao facto de uma intrusão clandestina, com hastear de bandeira e tudo, numa parcela de território Português, em clara provocação à soberania Nacional. Temos um Secretário Regional, tão cioso da tão propalada Autonomia, que disse estar atento ao que se estava a passar. E mudo se quedou. Temos um processo de contra-ordenação, supostamente instruído, e que de antemão se sabe inconclusivo. Parece ainda que aos provocadores foi conferido tratamento especial, uma vez que “não foram detidos”, tendo ainda a nossa Marinha Nacional “estabelecido o contacto com os seus familiares” (só espero que não se tivessem expressado em castelhano!), e “providenciado transporte para o aeroporto”. Tudo isto por conta do Orçamento de Estado, ao que acrescem os elevados custos da deslocação do Navio Patrulha às Selvagens. Perante semelhante actuação das autoridades Portuguesas, tão tímida e humilhante, em que só faltou o pedido de desculpas aos protagonistas, sou levado a concluir que a nossa quase milenar Nação, precisa urgentemente de estadistas de elite, que firmemente a defendam e dignifiquem, ao invés da mediocridade dos funcionários dos partidos políticos que têm vindo a constituir os Governos/Estado das últimas décadas, e que não têm sabido honrar a Nação. Estou para ver o que aconteceria se dois Portugueses resolvessem fazer o mesmo em Olivença, com inteira justiça, diga-se. A Vila de Olivença e outras sete aldeias portuguesas foram vilmente usurpadas a Portugal pelos Castelhanos, na época conturbada das invasões francesas. Apesar da deliberação a favor da causa portuguesa, no Congresso de Viena em 1817 (Congresso dos Oito), onde foi reconhecida a justeza da nossa reclamação, comprometeu-se então Espanha a devolver os territórios usurpados “o mais brevemente possível”… Tal nunca foi honrado por parte dos nossos vizinhos ibéricos!.... E não se pense que o território usurpado seja assim tão insignificante, uma vez que perfaz 750 km2, área ligeiramente inferior à da Ilha da Madeira.