Os partidos da oposição propõem, exigem, demonstram evidências irrefutáveis, insurgem-se há anos - e nada. Faz-me pensar no ditado “os cães ladram e a caravana passa”, sem querer chamar nada a ninguém. Pouco ou nada mudou nem muda. Em 40 anos não mudou. Os partidos são máquinas que trabalham para dentro. Por isso, mesmo sem o orçamento que aqueles têm, sem os assessores, sem assento no parlamento, ou noutro sítio qualquer, sem as suas reformas, vencimentos ou acumulações, vou também atrever-me, da mesma forma e, sinto que, com os mesmos resultados, a propor “coisas”.
Assim sendo, cá vai: - Um programa onde se associe a imagem do destino Madeira a um destino de natureza e com a gastronomia baseada em produtos biológicos e que apoie e fomente uma agricultura mais livre de pesticidas e herbicidas e sustentável;
- Que se crie uma equipa, pela parte do governo regional, por uma ou mais das suas secretarias, que faça chegar a informação a todos os estudantes em final de cursos superiores ou profissionais, acerca das saídas profissionais possíveis e das maneiras de como obter financiamento e construir um projecto empresarial sustentável, que mostre a ilha como um destino verde, que aposta na natureza e na preservação do património natural e cultural (os poios, as veredas, as levadas, as vinhas, etnografia e o azul do mar) - a tal “pérola do atlântico”, resumindo.
- Que se criem pontes e relações de interesse mútuo entre produtores e pela parte dos empresários da hotelaria e restauração, no sentido de assegurar a frescura, a qualidade e a autenticidade dos produtos e da gastronomia que oferecemos a quem nos visita.
Viram? Produzi tanto em menos de 10 minutos como alguns partidos e todos os seus “aparatchiks” durante as últimas décadas. E sem um cêntimo dos contribuintes. Não me instalei com um séquito de 300 num qualquer hotel para fazê-lo. Não custei nada a partido algum, nem aos contribuintes, nem tive que viajar até Bruxelas para o efeito.
Para fazerem isto (e pouco mais que isto) os partidos na oposição têm gasto dinheiro dos contribuintes, ao que se junta o financiamento privado. Para não falar no tal “jackpot” que todos dizem querer reduzir mas do qual ninguém realmente quer abdicar. Nem de um troço! Só o CDS faz alguma coisa e assume querer mudar.
Há uns senhores que se sentam nos lugares, que se habituam às regalias e ali vão ficando. Depois vê-se, daqui a 4 anos. A Assembleia? Fechou dois meses para férias. Os partidos? Deixaram alguém encarregue de mandar um artigo por dia para os diários. E nós? Nós pagamos, reduzimos, contamos, reformulamos, ajustamos, adaptamos, cortamos, gritamos, choramos… só não exigimos mais de quem nos representa.
O PSD desta vez perde as regionais? Duvido. São os únicos que demonstram querer e que trabalham todos os dias para continuarem a ser governo. Ganhar as regionais parece ser, acima de tudo, uma enorme trabalheira, cheia de responsabilidades e compromissos. Parece que onde se está muito bem é na oposição. É dizer sim e sorrir muito – o que parece bastar - É uma carreira.
Há políticos madeirenses que falam da política reduzindo-a a uma gíria “de bola” que me entristece. Dizem que “lá em Lisboa são os ‘nacionais’. Isto aqui são os ‘regionais’. Uma espécie de 2.ª divisão. O exercício da política, o estado em que a Madeira se encontra financeiramente e tudo o que nos conduziu a este pântano, de nada vale o esforço e entrega que se exige, perante a ansiedade em “jogar” entre os “grandes”.
É a realidade. Será que ao fim de 40 anos a culpa é sempre e exclusiva do PSD? A oposição “Hakuna Matata”, do deixa andar, não tem dedo nisto? Vá, cantem comigo: “Os teus problemas são para esquecer…”
Nuno Drumond