O PSD/Madeira começou por se organizar como se fosse um exército. Essa que pode ter sido uma bem-sucedida forma de crescer, já não o é mais. Este modelo organizativo, a par da liderança, esgotou-se. Se a isto juntarmos uma deriva de fechamento e exclusão, temos as razões para o atual estado do PSD/M. Acabamos de comemorar o nosso 40º aniversário. Em 19 de Dezembro vamos escolher uma nova liderança. Estamos perante uma oportunidade única de REINVENTAR o PSD/M, de fazê-lo RENASCER. A desejada mudança não pode ser de mera cosmética de modo a que tudo fique mais ou menos na mesma. À semelhança do que propus para o sistema político regional, advogo uma reforma profunda do PSD/M. Esta é uma das condições necessárias para contrariarmos o distanciamento crescente dos eleitores. Aos nossos erros acresce uma desconfiança cada vez maior da cidadania face aos Partidos. Nove em cada dez eleitores desconfiam dos Partidos. Sob pena de passar a ser irrelevante, o PSD/M não pode ser indiferente a esta situação.
Em primeiro lugar, devemos substituir a lógica de fechamento e de exclusão por uma lógica de grande abertura aos militantes, simpatizantes e à sociedade civil em geral. De partido oligárquico na mão de meia dúzia, a Partido aberto, propriedade de todos os seus militantes e património dos madeirenses. Uma alteração dos estatutos com o propósito de dar expressão aos valores da abertura e da democraticidade interna é indispensável. Consagraria instrumentos como o do referendo interno, a pluralidade no Conselho Regional e no Conselho de Jurisdição, a eleição pelas estruturas locais dos candidatos autárquicos, uma maior participação das mulheres, o voto eletrónico, um Gabinete de Estudos e de Relações Externas. Devolver o Partido aos militantes, pondo-o em sintonia com a Sociedade Civil, mobilizando-o em torno da causa de uma segunda revolução tranquila é a grande prioridade. Uma revolução tranquila que seja expressão dum verdadeiro processo de desenvolvimento sustentável de rosto humano, que equilibre competitividade económica com preservação ambiental e coesão social. Seríamos assim fiéis ao nosso código genético: um partido popular, reformista, autonomista e da mudança, guiado pelo ideário social-democrata. Esta é a identidade onde deve assentar a refundação do PSD/M de modo a sermos de novo um Partido com alma, com mística, atrativo e irradiador de esperança. Um Partido profundamente humanista, absolutamente fiel ao valor da dignidade da pessoa humana e aos valores fundadores da liberdade, igualdade de oportunidades, da solidariedade e do trabalho. Um Partido que não se limite a ser uma bem oleada máquina de campanha eleitoral, mas seja também vivo, livre e aberto, um espaço de participação e debate, uma fonte abundante de ideias e inovação política que alimente a nossa ação nas autarquias, nos parlamentos e no Governo.
Um partido que, tal como quase todos nós, terá que viver gastando inevitavelmente menos recursos, adotando uma organização bem mais leve e ágil. Um Partido mais descentralizado (Importa recuperar as estruturas políticas concelhias), com uma presença bem mais forte na internet e redes sociais e com melhores ligações a Institutos nacionais e internacionais ligados à social-democracia.
Um partido autónomo do Governo, fator de escrutínio e fiscalização deste.
Sérgio Marques