A afirmação é do ex-Presidente da República Portuguesa, Dr Jorge Sampaio. Falava sobre apostarmos em políticos bem prepardos e de “alta qualificação” na política portuguesa para que o País pudesse ser bem governado, com instituições credíveis.
Não poderia estar mais de acordo, embora tenha a certeza que quem nos governa, credível ou não, governa-nos porque os eleitores assim o decidiram.
Por vezes noto que as pessoas, por alguma razão, afastam-se da política de tal forma que pouco lhes importa quem governa, ou se têm competências - seja em termos de habilitações, seja em termos de experiência profissional - para exercerem com responsabilidade o cargo para o qual foram eleitos.
Acredito que, para ser-se Ministro, Secretário de Estado, Secretário Regional, Diretor Regional ou até mesmo Deputado, devem existir requisitos mínimos. Estas são funções de grande responsabilidade, que obrigam a que se tenha um mínimo de conhecimentos, um mínimo de habilitações académicas para dominar determinadas pastas. Sei que os mais qualificados têm, à partida, melhor preparação.
A persistência na banalização por parte dos partidos e de muitos dos seus dirigentes regionais, fragilizou a qualidade democrática e a própria prática discursiva em sítios que merecem respeito e credibilidade, como a Assembleia Legislativa, por exemplo.
Podem até dizer-me que sou politicamente incorreto, mas a verdade é esta: se para acedermos, a grande maioria das profissões requer um determinado grau académico - porque é que todos aqueles que desempenham cargos de relevância público-política na gestão do País e da Região não estão obrigados ao mesmo? e defendo isto porque, quer queiramos, quer não, são os Ministros, os Secretários de Estado, os Secretários Regionais, os Diretores Regionais, os Deputados que influenciam e decidem o nosso futuro e o futuro da Região.
Naturalmente que esta não poderia ser uma medida drástica e condição única de acesso aos cargos, mas poderia e deveria ser um dos critérios para elaboração de listas. É um passo importante na qualificação e dignificação das instituições políticas, da classe política e, acima de tudo, da democracia.
É pouco sensato queixarmo-nos da qualidade dos nossos governantes quando fomos nós, os eleitores que, por esta ou aquela razão - e às vezes até por gozo -, entregamos o poder de decidir o nosso futuro a pessoas completamente impreparadas e sem habilitações para as funções que desempenham.
Orlando Fernandes