R.N. Com os concursos para docentes na Região já efectuados e com a saída das listas a acontecer de uma forma progressiva, irá, a partir de agora que saíram as listas dos concursos de vinculação extraordinária bem como de mobilidade interna, assistir-se a inúmeras ultrapassagens só possíveis porque abriu-se, com a conivência de várias entidades, uma “via verde da contratação”.

Com a cumplicidade dos dois maiores sindicatos de professores na Região que continuam sem se pronunciar sobre esta questão, o que confirma a máxima de que quem cala consente, as regras definidas irão permitir muitas situações de injustiça, num momento onde se perspectiva o desemprego de muitos professores.

De uma forma antecipada, era de esperar que o “sindicato do partido” e o “sindicato das meninas dirigentes” detectassem o problema e evitassem que uma classe que anda há muito a ser “agredida”, fosse novamente alvo de tão violenta situação que é ficar desempregado por via do favorecimento de outros.

Os próprios contratados deviam querer e lutar por regras claras e inequívocas que não permitissem situações como as que se vão passar, no entanto, irão aprender que o silêncio comprometedor a que se remeteram quiçá na esperança (e com a acção de “magistratura de influências”) de serem os contemplados com a renovação, irá ter um elevado preço a pagar.

As regras das renovações de contrato que se seguem irão permitir que muitos professores, ao ser renovado o seu vinculo, ultrapassem colegas que estão à sua frente na lista e que pelo facto da escola onde estavam colocados não ter espaço / horário a atribuir, sejam remetidos para o desemprego. Imaginemos o exemplo bem real que se segue:

Um professor contratado que tenha participado no concurso extraordinário de vinculação, e que por algumas décimas tenha ficado como o primeiro a não vincular neste concurso extraordinário. É naturalmente o primeiro da lista dos não vinculados e atrás dele encontram-se várias dezenas ( depende do grupo disciplinar onde lecciona) de candidatos que respeitavam as condições para este concurso e várias centenas de contratados que não reuniam as condições (número mínimo de anos) para concorrerem.

Ora bem, este candidato, o primeiro a não vincular, se por acaso tiver a infelicidade de não renovar na sua escola (por várias possíveis razões, mas imaginemos que é porque não há efectivamente horário nem turmas para leccionar), poderá ir para o desemprego em detrimento do último da lista do concurso de vinculação e que viu renovado o seu contrato na sua escola.

Mais grave ainda, a ultrapassagem pode ser feita por um candidato com poucos dias de funções no ensino e que tenha visto por vários motivos entre os quais a “magistratura de influencias”, o seu vinculo ser renovado.

Esta situação foi criada para quê ou melhor… para quem?

Porque não se manifestam os sindicatos?

Será que são parte interessada neste tipo de ultrapassagem…?