Juvenal Rodrigues Confesso que cada dia que passa me desiludo mais com a política e com os políticos.
Embora não fosse da minha cor política, habituei-me a ver no Dr. Marinho Pinto um homem coerente cujo principal objectivo era combater e denunciar a corrupção, a incapacidade que grassa na política e sobretudo denunciar o moribundo sistema judicial em Portugal. O seu discurso fluido, prático e objectivo deram-lhe a cobertura mediática necessária e a sua ascensão na carreira política foi como um foguete em dia de arraial. Escolheu o MPT e “engordou-o” até os 7% dos votos para chegar ao Parlamento Europeu.
Cerca de 3 semanas depois descobriu que afinal não era aquilo que queria porque naquela casa os deputados ganham muito dinheiro apenas para discutir problemas económicos e não os problemas sociais de uma Europa em decadência acentuada. Porque não continuou lá para usar o seu fluente e influente discurso contra as injustiças que ele sempre combateu?
Seis meses depois abandona o seu cavalo de batalha (entenda-se MPT) que o levou até ao PE porque afinal descobre que este partido coloca os interessares pessoais à frente dos interesses dos cidadãos. Que desculpa tão fraquinha! então Vª Exª já não afirmou que, infelizmente, neste país são todos assim?
Agora, em tão curto espaço de tempo, pretende fundar um novo Partido para ganhar um lugar de deputado na AR, quiçá, chegar a 1º Ministro e porque não dar um saltinho mais acima até a presidência da República. Defina-se Sr. Doutor, Deputado, 1º Ministro ou Pr. da República porque “pagar 1 e levar 3” não será possível e os portugueses tem curiosidade em saber como é que um homem que antes de se aventurar na política tinha ideias tão claras e objectivas agora nem sabe o que quer para ele próprio. Os portugueses já estão muito escaldados dos políticos e se não clarificar rapidamente as suas ideias já se prevê que a sua queda seja tão abrupta como a sua ascensão.
Sei que não é da minha conta as incoerências do Dr. Marinho Pinto porque é livre de pensar e agir como lhe aprouver mas enquanto cidadão lamento que os holofotes da ribalta da política perturbem estas mentes, antes iluminadas, que sabiam exactamente qual o remédio que o pais precisa mas num ápice sofrem um ataque de amnésia e perdem o sentido de orientação juntando-se aos outros políticos já desorientados deste país e assim vão matando à nascença alguma eventual e ténue esperança para os portugueses.