No início do ano letivo, entre a azáfama dos alunos e os atrasos na colocação dos professores, o senhor Ministro da Educação continua a apresentar um discurso longe da realidade e incoerente com as suas medidas concretas, isto é, publica legislação que possibilita novas estratégias de intervenção, todavia, retira às escolas os recursos necessários para as implementar. Exige também, por um lado, que as escolas reduzam os custos, inclusive atribui prémios a quem gastar menos, mas, por outro, obriga-as a desperdiçar milhares de euros para substituir manuais, adquiridos apenas há dois anos, porque já não estão de acordo com as novas metas curriculares decretadas fora de tempo.
O Ministério da Educação e Ciência, em vez de se agarrar à obsessão por exames mal elaborados e rankings descontextualizados, em vez de produzir despachos, portarias e decretos aos ziguezagues, muitos deles, sem uma estratégia definida, outros assentes num modelo de sociedade bastante discutível e nada consensual, deveria construir um pacto educativo estruturante, a médio e a longo prazo, com todos os agentes envolvidos, direta ou indiretamente, na área da educação e do ensino.
A política arrogante e unilateral de impor a sobrevalorização de algumas disciplinas em detrimento de outras, desvalorizando toda a educação relacionada com as áreas da cidadania, das expressões, das artes, da cultura e das componentes experimentais nas ciências, coloca em causa o processo de formação global de cidadãos responsáveis e competentes, com capacidades para se adaptarem aos novos desafios que a vida lhes proporciona.
Em suma, a escola, enquanto promotora do desenvolvimento integral dos alunos e construtora de futuros, exige uma conceção na linha estratégica do investimento e não na perspetiva de uma despesa, como se estivéssemos a gerir uma unidade empresarial que se não der lucro é ameaçada com o pedido de insolvência.
Rui Caetano