A terceira via é um termo usado pela primeira vez pelo sociólogo inglês Anthony Giddens em finais dos anos 70 para definir um caminho alternativo para a consolidação da social democracia como modelo político, onde o primado da economia de mercado com moderação estatal e uma responsabilização pela segurança, educação e a previdência fossem o enfoque principal. A dialetica que se estabeleceu, na altura, era dotar, no domínio da ideologia, a social democracia como campo ideológico único e diferenciado do socialismo, uma vez que a própria doutrina social democrata deriva de uma ruptura do socialismo no início do seculo xx. Hoje, em pleno século XXI, as principais bases ideológicas da social democracia à luz da reformulação ou revisão introduzida pela terceira via ainda estão em vigor acrescentadas com o desenvolvimento sustentável, fenómeno relativamente recente que deriva da mudança de paradigma de uma era industrial, tout court, para uma era da sociedade do conhecimento e das crescentes preocupações com todas as questões de âmbito ambiental e qualidade de vida sustentável assim como com o primado do homem cidadão. Queria com esta introdução chamar a atenção para a importância da terceira via unicamente como momento de reformulação e revisão de modelos políticos existentes, não como modelo ideológico em si. As próximas eleições do PSD-M e todo o debate que as antecede deveria constituir, e de certa forma está a constituir, a tal terceira via, o tal momento de reformulação, de refundação e de mudança de um paradigma para um novo. Apesar de se ter discutido pouca ideologia, o que até é natural uma vez que os candidatos se situam claramente no mesmo campo politico ideológico, há questões ao nível programático, de visão do mundo e da própria realidade da região como, até, de discurso politico que encerram muitas diferenças entre os cinco, agora, candidatos. É precisamente nas diferenças entre os candidatos que os militantes se deverão centrar para que a escolha do próximo líder do PSD-M constitua, de facto, a terceira via que o partido tanto necessita, e que é fundamental existir, para que o próprio partido regresse à sua matriz original, na busca de uma autêntica democracia política, económica, social e cultural como definiu, e bem, Francisco Sá Carneiro no congresso fundador do PPD a que se deve acrescentar a matriz verdadeiramente autonómica, desenvolvimentista de cariz sustentável e claramente pessoalista como reforço do seu património ideológico. Somente recentrando novamente os seus princípios ideológicos e programáticos será possível ao PSD-M dar uma nova e melhor resposta aos anseios naturais da própria sociedade madeirense e porto-santense num contexto económico e social de grande adversidade e, até, de alguma descrença devolvendo a esperança. Sérgio Marques ao constituir-se pela força do seu caracter, da sua personalidade e das suas ideias como a Terceira Via, com o seu Pacto de Confiança, coloca-se nas mãos dos militantes para que as eleições de 19 de Dezembro constituam, de facto, a TERCEIRA VIA que o PSD-M , os militantes e os madeirenses tanto necessitam.
António Abreu