A minha “leitura de verão” surpreendeu-me desta vez com um livro que me fez esquecer os outros e que prendeu a minha atenção durante a maior parte deste mês.
“Pensar, depressa e devagar” é o título de uma obra bastante extensa da autoria de Daniel Kahneman, distinguido com o Prémio Nobel da Economia em 2002. O livro, já traduzido em várias línguas, merece toda a atenção, e tenho a impressão de que é capaz de provocar uma reexaminação profunda, pelo leitor, do seu próprio comportamento, no que diz respeito à tomada das decisões, fé depositada na reacção intuitiva, e sobretudo à noção da objectividade, imparcialidade e isenção na formulação das nossas opiniões, nas quais todos tanto gostamos de acreditar.
As implicações no campo da economia ocupam apenas um segmento deste livro de psicologia que apresenta resultados de numerosas experiências conduzidas para tentar perceber o mecanismo de formulação de juízos e avaliações e codifica-lo num sistema científico. O resultado: a imagem do nosso cérebro como uma caixa de duas velocidades e dois sistemas; um, rápido, instintivo e intuitivo, resultando em acções cujas origens evolucionárias e vieses emocionais nem sequer temos tempo de perceber, pelo que nos faz cometer frequentemente erros crassos, embora com toda a convicção, e o outro, mais demorado e árduo, contudo também mais analítico e cauteloso, que ocupa toda a nossa atenção e consome a nossa energia mas infelizmente ostenta toda a inércia de uma preguiça adormecida.
Assim, este sistema prefere não ser acordado e nós continuamente tomamos decisões impulsivas que achamos plenamente informadas e objectivas, enquanto a verdade é bem diferente… E isso, infelizmente, aplica-se a todos os “tomadores de decisões” a todos os níveis, desde as nossas decisões diárias até aos políticos, economistas, juízes e “mexedores globais” – enfim, o nosso mundo inteiro parece padecer deste desequilíbrio e das suas consequências prácticas. A ler e a contemplar.
Robert Andres