Conceição Pereira Há poucos dias, a Comunicação Social noticiou que os governantes do nosso País estão muito empenhados na cobrança coerciva das taxas moderadoras em falta e que já estão a agilizar processos eficazes para sacarem mais dinheiro aos utentes dos hospitais e Centros de Saúde.

As famílias estão depenadas de rendimentos devidos aos cortes nos salários e pensões, aos baixos salários, aos custos da educação e da saúde, pois cada vez se paga mais e cada vez se recebe menos dos serviços oficiais e os doentes ainda têm de pagar taxas moderadoras nos hospitais e centros de saúde, a nível nacional. Como há doentes que deixam essas taxas por pagar, coisa que nunca lhes devia ser exigido, lá vêm as aves de rapina, de asas abertas e garras afiadas sacar mais uns dinheiros, porque nunca estão fartos. Havia uma expressão: “são como carrapatos que nunca estão fartos.” É o que eles são, carrapatos que se enfiam na pele e vão sugando o sangue e só param quando os arrancamos.

Mas este “modus operandi” é só com o povo que vive do seu trabalho, que paga impostos e cumpre com todas as obrigações perante o Estado. Mas com os ricos e poderosos, com os traficantes, corruptos e ladrões de rabo comprido, com esses os nossos governantes têm outro comportamento. Eles deixam dívidas de electricidade, S. Social, salários, buracos de milhões e milhões e ninguém os obriga a pagar. O senhor Ricardo Salgado, por exemplo, responsável por um grande buraco de não sei quantos milhões de euros, já não tem bens em seu nome e não faço ideia como é que ele vai pagar a conta do hotel do Estoril onde está hospedado.

Qualquer dia ele ainda pede uma indemnização por o terem denunciado e considerado arguido, logo a ele, que nem sequer é o único responsável pela queda do BES.

Na RAM, um tal Luís Camacho, segundo foi noticiado, passou muitos anos sem pagar a S. Social e talvez os trabalhadores dessas empresas estejam em apuros em relação ao subsídio dedesemprego e à reforma. E as entidades oficiais responsáveis permitiram que tudo isto acontecesse e não assumem devidamente as suas responsabilidades quanto ao assunto. Nem sequer o Secretário Regional dos Assuntos Sociais! E ainda não vi o movimento sindical, nem tão pouco o sindicato da hotelaria na rua a denunciar esta situação nem a lutar pelos direitos destes trabalhadores. É estranhíssimo! E já agora, ao partido que se diz das Zonas Altas, aconselho que desçam também às Zonas Baixas e se pronuncie sobre os direitos dos trabalhadores do Golden Gate e hotéis dessas empresas criminosas que estão a atravessar uma grave situação laboral e social.