O modelo escolhido para assinalar, no passado dia 21 do corrente mês, o 506.º aniversário do município do Funchal, traduz uma nova forma de estar na política. Ou melhor, uma nova forma democrática de estar na política. Aos eleitos foi dada a possibilidade de falar, não olhando à sua cor partidária, isto é, todos tiveram democraticamente a oportunidade de expressarem os seus pontos de vista. A realização da cerimónia no espaço aberto da praça do município permitiu também que os cidadãos tivessem a possibilidade de assistir. Em democracia é assim que deve ser feito. As opiniões podem ser divergentes, mas todos os que são democraticamente eleitos, representam cidadãos e ao expressarem-se são o canal de comunicação do conjunto de cidadãos que os elegeu. Silenciar a oposição como até aqui se fazia, é silenciar a cidadania. O exercício de um cargo público, neste caso um cargo político, exige, para além de competência, uma postura que dignifique a função, dimensão de que no domínio pedagógico todo o político deve ter presente. Depois, são os cidadãos, que informados e esclarecidos e em função das regras da democracia, farão os seus juízos e inclinarão a sua preferência para aqueles que mais lhes parecem estar na política para servir e não para se servirem. Comemorar o dia da cidade do Funchal do modo em que ocorreu, é também um contributo para o cultivo da necessária consciência política no cidadão, que manifestamente tarda em emergir na região, circunstância a que não será alheio o modo de fazer política na região nos últimos anos, assim como, uma orientação oficial religiosa, que, aparentemente, será deficitária em espiritualidade e farta em conivência. Viva a Cidadania, Viva o Funchal!

Fernando Rodrigues