Depois da Primeira Guerra Mundial e dos milhões de soldados que morreram em combate, os líderes franceses decidiram proteger o seu país e impedir ataques de futuros agressores. Para isso, construíram um conjunto de fortalezas, bunkers, muralhas e túneis subterrâneos entrelaçados ao longo de centenas de quilómetros, que ficaram conhecidos como a “Linha Maginot”, chamada assim por causa de André Maginot, ministro da defesa e veterano mutilado da Primeira Guerra Mundial, que foi o principal defensor do projeto.
Custou milhares de milhões de francos franceses e quando Hitler começou a revelar-se uma ameaça, a elevada despesa parecia ter sido um investimento excelente.
Infelizmente, esta estrutura não serviu como mecanismo de defesa, pois não se estendia até o Mar do Norte e as tropas alemãs contornaram a Linha, entraram pela Bélgica, atacaram o exército francês pelas costas e ocuparam a França sem dificuldade. Qual foi o problema? A Linha Maginot era uma defesa adequada para a guerra de trincheiras, como os combates que ocorreram na Primeira Guerra Mundial. Mas esta não foi a abordagem que os Nazis seguiram no seu ataque aos franceses. Esta história é uma advertência sobre o que pode acontecer quando planeamos estratégias para o futuro: por vezes nós também construímos as nossas “Linhas Maginot” quando tentamos preparar o futuro apenas a partir daquilo que conhecemos do passado. É como se estivéssemos a conduzir, mas apenas nos orientássemos por aquilo que vemos pelo retrovisor.
Roberto Macedo Alves