Com os textos de opinião que escrevo só pretendo colaborar e talvez alertar para situações menos positivas e irrefletidas com as quais me deparo diariamente. É evidente que não sejam do agrado de todos. Gosto de ser frontal, sincera e não oportunista e a verdade, por vezes, é dura.
Sugeria ao Diário de Notícias da Madeira que convidasse cidadãos com cargos públicos e notáveis da sociedade madeirense, sem ligação direta ao poder político, a opinarem sobre as aberrações do regime jardinista a exemplo da coluna dedicada ao “Verão 2014”.
Aproveito para mencionar sete pecados, isto sem ser necessário sair do meu concelho, a Calheta:
1 - O Porto de Recreio da Calheta, da responsabilidade da Sociedade Ponta Oeste espaço construído nesta última década, evidencia sinais de degradação que não beneficiam a imagem do concelho assim como o novo hotel em construção nas proximidades.
2 - A não concretização da via expresso de ligação entre as freguesias da Fajã da Ovelha e da Ponta do Pargo onde foi fácil realizar os túneis e não construir as pontes que beneficiaria as pessoas mais idosas e isoladas e com fracos recursos.
3 - A antecipação desmedida na compra dos terrenos à população da Ponta do Pargo para a criação de um idílico campo de golfe e respetivo hotel e que nada se fez quando outrora estavam cultivados e contribuíam para o enriquecimento económico e paisagístico desta localidade.
Hoje, se visitarmos esta pitoresca freguesia só encontramos turistas na casa de chá , no farol e no miradouro que se encontra em estado lastimável.
O farol da Ponta do Pargo é o mais alto de Portugal e anteriormente estava bem ligado através da antiga estrada de acesso ao miradouro. Atualmente este acesso foi interdito tirando o privilegio à população de desfrutar de uma das melhores vistas sobre o mar.
4 - Investiu-se em tantos centros de saúde pelas várias freguesias mas os médicos das diversas especialidades escasseiam e só aparecem temporariamente e os doentes mesmo em casos graves são encaminhados para o hospital do Funchal. A saúde na Madeira é considerada como um SPA para os pobres.
5 - A Calheta é dos concelhos que tem melhor clima e, no entanto, a piscina aqui construída continua sem água porque não se projetou a redução dos seus custos. O aquecimento da água através de painéis solares seria muito mais económico do que o gás e provavelmente esta infraestrutura não estaria atualmente encerrada.
6 - A construção de mais um pavilhão gimnodesportivo no Arco da Calheta inativo e desnecessário talvez fosse mais prudente recuperar o nosso património edificado que se encontra em ruínas destacando o engenho do Jardim do Mar e a antiga fábrica da manteiga na Fajã da Ovelha.
7 - São elevados os custos para repor constantemente a areia amarela de Marrocos na praia artificial da Calheta o que é uma aberração suportada pelo erário público.
No Porto Santo cujo o principal cartaz turístico, é a sua praia de areia natural e terapêutica, de ano para ano verifica-se um aumento de pedras resultante de erros cometidos nas obras do passado.
Poderia ainda mencionar muitos outros casos. Vou descansar sentada no banco de jardim situado no cimo da vereda do Serrado do Pau há muito retirado e que recentemente foi recolocado. Algo foi feito!
Patrícia Sumares