
Quem alguma vez teve participação, mesmo que pontual e reduzida, num partido político, percebeu que o funcionamento destas organizações é muito pouco transparente, as jogadas multiplicam-se, as facadas nas costas são naturais e as ‘chapeladas’ nas eleições fizeram escola. Pelo menos no tempo em que os lideres de hoje, ou candidatos a esse estatuto, ainda andavam nas ‘jotas’.
O tempo deveria ter servido para aprenderem alguma coisa, mas se fosse feita uma avaliação da sua evolução política os resultados eram rotundas negativas. A maioria chumba em transparência, visão de futuro, mas tem notas muito altas nas ultrapassadas disciplinas de caciquismo, pressão sobre militantes, jogadas pouco claras e tentativas de óbvia aldrabice.
Num momento em que há duas corridas para lideranças de partido a decorrer, é triste verificar que muito pouco mudou desde que se inscreviam dezenas de militantes numa mesma morada para todos votarem para a ‘freguesia’, ou se pagavam quotas de quem nem sabia que ainda estava inscrito. Palhaçadas que até poderiam ter piada quando a coisa era, mais ou menos, a brincar, mas que, hoje, são uma vergonha.
No PS nacional, ficou a saber-se que há uma federação, umas das maiores, em que até os mortos têm as quotas pagas e estariam em condições de votar. Entre gente séria, uma coisa destas obrigava a demissões imediatas. Nada disso aconteceu.
Por cá, onde decorrem os treinos de qualificação para a corrida a líder do PSD, discute-se quem tem mais cromos repetidos nas listas. Melhor, quais os militantes que foram pressionados a assinar numa lista e também o fizeram noutra.
Curioso, é que quem quer ver toda esta questão explicada, assume que possa também ter ‘repetidos’ no seu monte de figurinhas. Pior, quando há dois anos a corrida era entre o ainda líder e quem se atreveu a enfrentá-lo, nenhum destes novos paladinos da transparência mexeu uma palha ou fez qualquer comentário às maiores barbaridades cometidas pelo poder dominante no partido. Ficaram calados, assobiaram para o lado e fingiram que não estavam a ver discriminações e aldrabices vergonhosas. E continuam sem querer falar disso, talvez por vergonha.