José Maurício Rodrigues As bandeirinhas esvoaçam ao vento, já se sente o calor da fogueira para a espetada na barraquinha ao lado, os foguetes rebentaram e as canas caíram, as crianças dos vários sacramentos já foram alinhadas pelas catequistas e mães mais inquietadas, a banda já afinou os seus instrumentos, o andor já está na rua com a santa engalanada com o seu ouro a brilhar ao sol e o povo já saiu da igreja e espera nos cantos do caminho pela procissão.
Mas a procissão não anda.
A agitação inicial dá lugar a calma e com o passar do tempo a calma dá lugar a um nervosismo miudinho, mas afinal porquê que a procissão não anda?
A impaciência instala-se, as crianças inquietas começam a correr pelo adro, as mães correm atrás das crianças tentando (em vão) as disciplinar, os músicos voltam para a sombra do coreto e vão trocando umas notas soltas, o povo começa a olhar para o relógio, a coçar a cabeça, e questionam-se sobre o porquê da demora e só o andor se aguenta quieto no mesmo lugar.
Mas a procissão não anda.
Mas será que aconteceu alguma coisa? É esta a pergunta que vai na cabeça de toda a gente, os homens, os mais impacientes, começam a abandonar os cantos do caminho e vão procurar a sombra e a frescura das barracas onde vão se refrescando com uma cerveja ou vinho da terra, as mulheres, mais dadas às tradições, vão se juntando em grupos e questionam o porquê de tamanha demora.
Mas afinal porquê que a procissão não anda?
Os mais curiosos ou mais revoltados entram na igreja e dirigem-se à sacristia à procura do porquê da procissão não andar…
Lá encontram o padre a servir de árbitro numa teima entre os cinco festeiros. Mas afinal, dos cinco, quem é que leva a vara? Dos cinco quem será o festeiro mais importante?
E enquanto teima puxa teima, o povo desespera mas a procissão não anda.