Em Portugal - e, também na Madeira, em consequência da assinatura do PAEF - inventou-se mais esta: os transportes públicos devem ser privatizados. Não se percebe o que isto quer dizer, uma vez que uma empresa como a Horários do Funchal, sempre foi uma empresa bem gerida, com profissionais motivados, e é uma peça chave no serviço social que a Região presta à população, sendo também essencial na definição das políticas de mobilidade, energéticas, ambientais e sociais para a capital e respectivas zonas metropolitanas. Acresce que a situação financeira da empresa é equilibrada, tendo um passivo reduzido e consolidado face aos activos - a excelente participação no teleférico já foi alienada -, volume de vendas, e respectivas indemnizações compensatórias. De resto, os últimos dados estatísticos que disponho - relativos a 2011 - são importantes para podermos avaliar a importância da actividade desta empresa na vida dos Funchalenses. Uma em cada três viagens realizadas no Funchal são efectuadas pelo Transporte Público. A Horários do Funchal transporta por ano cerca de 19 milhões de passageiros. Tinha em 2011 60 carreiras. 190 km de rede. 172 autocarros em que se incluí 10 autocarros especiais para acesso às zonas altas, 4 autocarros eléctricos e 30 com emissões reduzidas. A empresa sempre teve um comportamento ambientalmente irrepreensível, sendo os projectos Mimosa e Linha Verde um sucesso indesmentível. E ainda: 79 por cento dos clientes da HF usam passe. 63 por cento do sexo feminino. 80 por cento não tem viatura própria. 67 por cento não tem carta de condução. 50 por cento auferem um vencimento igual ou inferior a quinhentos euros. Portanto e fácil verificar o papel social relevante desta empresa no dia a dia dos nossos concidadãos, sobretudo os menos favorecidos. E não estamos a falar de estatísticas burocráticas mas de pessoas concretas com famílias e responsabilidades que necessitam diariamente de transporte. Voltando pois à questão essencial: quais as vantagens da privatização da Horários do Funchal? Há algo que a gestão privada pode fazer no futuro que a actual administração não possa concretizar no presente? Alguém acha que a qualidade e controlo do serviço vai melhorar com a privatização? A gestão privada, no futuro, estará mais preocupada com as populações? Dedicar-se-á mais ao bem público e os moradores das zonas altas do Funchal terão um serviço melhor e mais barato? Duvido. É por estas e outras que em tempos sugeri que a CMF devia entrar no capital dos Horários. Mas parece que a tão invocada Autonomia da Madeira - sequestrada pelo PAEF - não dá de momento sequer para isso. A privatização da Horários do Funchal é um assunto demasiado sério e importante para ser tratado de forma subalterna ou irresponsável. Devia ser repensada e renegociada em função dos interesses relevantíssimos que estão em jogo: a continuação da prestação de um serviço de transportes públicos acessível e eficaz à população do Funchal. O resto é secundário ou “sound bites” para disfarçar desastradas decisões.
Miguel Albuquerque Candidato a líder do PSD-M