Vai a propósito neste tempo de lançamento para uma nova época desportiva na maioria das modalidades, e de uma mão cheia de incertezas que os agentes desportivos estão confrontados. As alterações conjunturais que a nossa sociedade teve que assimilar, e o contexto económico e financeiro que modificaram as normas de apoio e financiamento ao desporto, alteraram toda a lógica das últimas quatro décadas do edifício desportivo. O conjunto dos fatores que envolvem estas alterações, por si só justificaria uma reflexão ao desenvolvimento e metodologia desportiva, nos seus vários níveis e formas da prática. Mas é necessário acrescentar a introdução, de outros pressupostos e de novos paradigmas, nomeadamente o da saúde como um benefício fundamental na efetivação da atividade desportiva. Os muitos benefícios da atividade física foram ainda reforçados pelas “epidemias deste século, sedentarismo, obesidade, hipertensão e diabetes, pelo que podermos afirmar, estar assegurada a sustentabilidade financeira a curto prazo, da promoção e prática da atividade física e desportiva. Existe portanto áreas de eleição para a promoção, divulgação e prática desportiva, nomeadamente através da Educação Física Escolar, o Desporto Escolar, e o próprio Desporto Federado, nomeadamente nos escalões de formação desportiva, assumindo-se como verdadeiros instrumentos privilegiados. Uma alteração significativa ao sistema desportivo é necessária e imperiosa, pela modificação destes dois grandes fatores: a alteração dos contextos sócio-desportivos, e a introdução do novo paradigma na prática desportiva. Mas afinal o que se pretende? Uma revolução, reformulação ou simplesmente uma nova roupagem para um outro enquadramento desportivo na sociedade madeirense. As palavras e os conceitos não devem ser entraves, nem as crenças e mitos que os acompanham. Deixemos o supérfluo, e o que se pretende é realismo, frontalidade e rigor nas normas e regulamentos para o novo desporto, para a nova missão que se anseia e exige. A tomada de decisões obrigatória, a escolha de novos caminhos emergentes, a seleção de estratégias e a definição clara do papel do Estado e dos parceiros tradicionais, ou sejam os próprios clubes, são premissas que definirão a diferença e a capacidade de quem terá a responsabilidade de liderar um processo de mudança, sem ou com roturas com o passado, sem a necessidade de negarmos ou exorcizar esse mesmo passado. O alcance e a capacidade de enfrentar o futuro, necessitam de arrojo e coragem, mas sobretudo da vontade de mudar procedimentos, os tais direitos do passado já sem sustentabilidade, e grande envergadura política, para a par da mudança estrutural forçada e conjuntural que a necessidade obriga, implementar uma verdadeira revolução no desporto. A par dos condicionamentos da sustentabilidade financeira, os fatores técnicos também sejam um parceiro de valor acrescentado para a indicação e reflexão do caminho moderno e fundamental para este novo século. De fora, “os paninhos quentes”, por gastos que estão, desatualizados pela mudança da missão do desporto, e pela necessidade da afirmação de novas politicas, mesmo que com os mesmos políticos, mas renovados e comprometidos com o futuro.

Rui Mâncio Caires Treinador de futebol