Maria Luísa Andrade Desde muito nova passo as minhas férias de verão no Porto Santo. Já adulta e casada, este passou a ser também o destino de férias das minhas filhas e, mais tarde, dos netos. Há mais de sessenta anos que este é o meu pequeno paraíso. Quando me reformei fiz desta Ilha a minha casa. Tudo se inverteu, o destino de férias passou a ser a Madeira. Embora vá lá com alguma frequência, para estar com as filhas e com os netos, para ir ao médico ou tratar de assuntos específicos, o Porto Santo é efetivamente a minha residência … de inverno e de verão. Tenho casa no Porto Santo. Pago IMI, luz, água e faço todas as minhas compras para o dia-a-dia na Ilha. Contribuo para a economia desta pequena Ilha, mês após mês, desde há sete anos. Cumpro os meus deveres cívicos, incluindo o direito ao voto. Nos últimos anos, em todas as eleições que decorreram no nosso país, quer a nível nacional e/ou regional, tenho votado no Porto Santo, sem exceção. Sou uma cidadã portuguesa, nascida na Ilha da Madeira e residente na ilha do Porto Santo. Hoje vejo a minha residência na Ilha do Porto Santo negada, por uma empresa privada e sem fundamento legal, pelo facto de receber a minha reforma numa morada madeirense (lembro que, de facto, foi na Ilha da Madeira que nasci e onde desempenhei a minha atividade profissional!). Não posso deixar de pensar na Constituição da Republica Portuguesa, sobretudo no seu artigo 44, que passo a transcrever: “Direito de deslocação e de emigração 1) A todos os cidadãos é garantido o direito de se deslocarem e fixarem livremente em qualquer parte do território nacional.” Posso, ainda, chamar à atenção para os artigos 4º, 5º, 6º, 13º, 18º e 26º. Contudo, penso que qualquer cidadão português informado conhece a Constituição da Republica Portuguesa e, consequentemente, os seus direitos e deveres. Resta-me lembrar que esta pequena Ilha, que tanto sofre com a sazonalidade do seu turismo, encontra nos “forasteiros” madeirenses, sobretudo dos reformados que adotaram a ilha como sua morada, contribuintes de uma economia parca, dando-lhe algum fôlego (sobretudo) durante os meses “baixos”. Agora, imaginem só que todos os madeirenses reformados vendiam as suas casas no Porto Santo a estrangeiros (sim, a estrangeiros, porque estes chegam e saem da Ilha de avião!), e escolhiam outro destino, quase de certeza mais económico, para viver!