Gil Canha Quando as malditas obras da Frente Mar da nossa cidade terminarem, quase que aposto que muitos vão dizer: - Isto está lindo, e ainda haviam más-línguas a dizer mal disto! Depois de tantas obras “lindas”, realizadas pelo Governo Regional na nossa costa, penso que já é altura dos madeirenses não se deixarem enganar. As obras costeiras, além de caríssimas, têm um problema incontornável, a sua milionária MANUTENÇÃO. Há mais de 20 anos que os holandeses e americanos procuram desincentivar a ocupação da faixa costeira, porque sabem que o Efeito Transgressivo do Mar (o mar invadindo a terra) é incontrolável, que não existem soluções de engenharia para o contrariar e que só conseguem manter determinadas infra-estruturas, como portos, zonas de lazer, marinas, zonas residenciais, etc… à custa de muitos milhões. Deste modo, as nações mais desenvolvidas só se lançam em projetos de ocupação costeira depois de apurados estudos e após analisarem os custos/benefícios dessas obras. Inclusivamente, uma das atuais políticas dos holandeses, é o Recuo Planeado e Estratégico da Zona Costeira, e no seguimento dessa política recuaram a sua fronteira marítima para a linha que tinham em 1977, e é nessa localização que estão a concentrar todos os seus esforços técnico-financeiros para se defenderem dos galgamentos do Mar do Norte. Na Madeira, pelo contrário, o Governo Regional tem-se metido pelo mar dentro com obras megalómanas e estapafúrdias, como é a atual artificialização da nossa baía, com praias fingidas desnecessárias e com milhares de tetrápodes que a desfiguram. Neste momento, já deixamos de ver o belo recorte do Forte de Santiago na paisagem, dando a impressão que foi engolido pelo betão. E pior ainda, fez-se uma coisa única no Mundo. Enquanto existem países que têm cidades e territórios abaixo do nível do mar, o que é um fator de grande preocupação, (veja-se o caso de New Orleans), aqui no Funchal, baixou-se o nível, para a água do mar entrar pela terra adentro nas fozes das nossas ribeiras. Uma coisa de loucos, esta história de querer desafiar o mar! Se atualmente é extremamente difícil conseguir financiamento para reconstruir o Lido e recuperar os restantes complexos balneares afetados pelas últimas intempéries marítimas, imaginem agora onde vamos inventar dinheiro para manter as atuais obras marítimas nascidas da insanidade do dr. Jardim? Sabendo-se de tudo isto e identificado o autor/algoz desta cruel história trágico-marítima, a Câmara Municipal do Funchal ainda lamenta a ausência do seu principal verdugo nas cerimónias do Dia da Cidade. Como dizia Séneca, “alma de escravo não se liberta numa vida.”