A política de incentivos às novas operações aéreas, em Portugal, que foi assumida desde há cerca de sete anos pelos governos nacionais, com uma intervenção importantíssima da empresa gestora dos aeroportos, direccionou para o nosso País um fluxo importantíssimo de companhias e de passageiros, hoje co-responsáveis pelo grande sucesso que, facilmente, se constata pela leitura das estatísticas da actividade turística. Mesmo que um alguns ‘palhaços de aldeia’ continuem a ler os números da maneira que melhor lhes faz jeito e que se esforcem por demonstrar que os destinos portugueses recebem turistas subsidiados (o que é verdade e eu confirmo), o certo é que a realidade aponta para desenvolvimento e crescimento de negócios e das regiões, com mais emprego e mais produção nacional e regional. O paradigma das viagens mudou, já o sabemos desde há muito, e agora vendem-se de outra forma, os clientes são outros e o negócio já não se decide, apenas, com envelopes ou cheques de participações monetárias a operadores turísticos, solicitando-lhes quase de joelhos o melhor posicionamento do destino ou do hotel nos seus catálogos. Os todo-poderosos operadores também foram caindo e um novo ciclo ergueu-se. Foi nesse novo ciclo que o transporte ganhou tal importância. Mas, atenção, que no turismo as mudanças são muito rápidas e o negócio é muito dinâmico. Evoluções recentes trazem-nos de volta a importância dos operadores e agentes de viagens, a complementaridade e a diferença que podem ter quando se reserva um pacote de férias, depois de muitos milhares de clientes terem sido obrigados a comprar uma nova viagem para regressar a casa e/ou a depararem-se com a obrigação de um segundo pagamento da estada que fora liquidada por meios electrónicos. Uma questão a seguir com alguma acutilância. Para a Madeira é fundamental que tenhamos um excelente relacionamento com as companhias aéreas. Não há nenhuma perfeita, como nós bem sabemos. Contudo a ingratidão é, normalmente, mal aceite. A virtude cristã de perdoar, de dar a outra face, não é um desígnio das empresas. E nesta terra de iluminados ‘doutores’ continuamos a menosprezar o esforço que outros fazem por nós, a importância dos meios que nos disponibilizam. Temos de exigir, porque pagamos, mas saibamos lidar com este dilema que nos trai, para podermos ser melhor servidos e termos a garantia de que estão connosco quando precisarmos. Quanto a subsidiar as companhias aéreas para trazer turistas. Sim, é preciso pagar para começar, para continuar e depois para exigir, que por nada, permaneçam nesta rota. E o Porto Santo? Certamente igual e todo o ano. Não no inter-insular, porque isso são contas de outro rosário. Sim nas viagens para fora do arquipélago. Um investimento que se configura como a ‘única’ solução possível. Outra solução seria ter o CR7, a Lady Gaga e uns mestres de Kuduro na praia o ano inteiro. Mas por aí não iremos…

Catanho Fernandes Jornalista