O Jornal “O Dia” (Rio do Janeiro, edição de 1/8/2014) apresentou os resultados de uma interessante investigação feita nos Estados Unidos que mostravam que 87% dos adultos têm medo de envelhecer e que os temores mais comuns são a perda de capacidade física, a perda das capacidades mentais e a perda da capacidade financeira. Estes temores são superiores ao medo da morte. Não temos resultados para a realidade portuguesa mas acredito que serão semelhantes aos encontrados para os Estados Unidos pois o aumento da esperança de vida não foi acompanhado com um aumento correspondente dos anos de vida sem problemas físicos ou mentais, ou seja, iremos viver mais anos com problemas físicos e mentais. Estes problemas acarretam aumentos de despesas para o individuo e para a sua família de modo a conseguirem manter a sua qualidade de vida. Dada esta realidade futura que a maioria de nós vai enfrentar parece-me estranho que as notícias que têm vindo a público sobre a reforma do IRS apontem que uma das medidas de simplificação seja o não permitir o desconto de todas as despesas de saúde do rendimento a considerar para apuramento do imposto a pagar. O rendimento gasto em saúde, a meu ver, destina-se a tentar manter a qualidade de vida da família e deve, como tal, ser considerado na sua totalidade em sede de IRS de modo a manter a equidade que o Estado deve defender e promover. Outro aspeto que é fundamental no modo como enfrentamos o envelhecimento é saber qual o rendimento que vamos ter quando formos idosos. A incerteza sobre qual o montante das nossas reformas e pensões futuras, para as quais contribuímos toda a vida sendo o Estado o “gestor” dessas contribuições, aumenta o nosso receio de envelhecer e de nos vermos numa situação de aperto financeiro. As discussões e cortes mal justificados sobre os rendimentos dos atuais reformados e pensionistas não fazem antever nada de bom sobre nosso futuro como idosos! O envelhecimento pode ser uma etapa bonita da vida e com a tranquilidade e segurança que todos merecemos. Para que tal seja uma realidade é crucial que os atuais idosos e seus direitos sejam respeitados e assegurados por todos e, em particular, pelos governantes em nome de um saudável diálogo intergeracional.
Pedro Telhado Pereira Professor Catedrático da Universidade da Madeira