Bruno Pereira - Festas, amigos, bebidas, …era o que mais desejava. Eu completamente perdido numa imensidão profunda de diferentes sons e luzes que me faziam delirar sentindo-me livre, talvez imaginando ser uma outra pessoa, fazendo-me pensar de como o tempo não passa por nos, como que nada muda. Mas quando fui abrir aquela porta, bem! Tudo parece real. O toque da pessoa amiga, o brinde a loucura do momento em que parece temos mais amigos que nas redes sociais. Sim AMIGOS, talvez esteja a ser um pouco sarcástico, mas considero que hoje vivemos para quem mais amigos têm ou mais like´s numa rede social. A nossa vida é como um livro aberto! – (Livro? Onde fui buscar essa palavra?) – Em que tudo esta ao acesso de todos! Depois, somos jovens, desempregados, a viver com os nossos pais… sem sentido de orientação, porque perdemos anos da nossa vida a estudar tirando um curso superior ou Em festas, bebedeiras, a gastar o dinheiro dos nossos pais e agora simplesmente não temos trabalho. Foi a Politica… Ou seremos nos que ao desiludir os nossos pais e a nos próprios, nos sentimos incapazes de olhar em frente, de lutar… de desistir de tudo ao ver o estado da nossa Nação? Mas algo aconteceu no passado… - Ela era deslumbrante…, um raio de sol nos dias mais cinzentos, uma brisa fresca vindo do mar, flores com um abundante cheiro a jasmim, enfim um sonho. O nome dela era … bem, vamos chama-la de Beatriz! E ali estava-mos nos, olhos nos olhos. Era como que estivesse a fazer um download de toda a vida dela, de tudo o que era ela. E eu, nem me consegui mexer, não sabia o que dizer ou fazer – Eu o homem que nunca fica sem palavras - e num certo momento eu disse para mim mesmo, sim é ELA! Era eu um homem com sucesso, independente, jovem…então convidei-a para uma dança, uma dança que só acabou ao fim de 5 anos. Pois, a dança foi longa! Momentos inesquecíveis, loucuras, paixão, desilusões… Quando a minha vida, como a de muitos jovens e não só deu uma grande volta e tudo o resto passou a ser nada de importante, porque nos perdemos o nosso orgulho, a nossa independência, acaba-mos por nos fechar em nos próprios e não ter forças para mais lutar, enfim tornamo-nos em alguém que não somos. Deixamos de ser compreendidos e passamos a ser mais um da GERAÇÃO RASCA! Claro que não pudemos culpar os nossos governantes… …mas o ser humano necessita de ter sempre alguém a quem culpar. Os nossos governantes têm culpa, sim. Mas todos nos também temos! Eu tenho culpa! Foi assim que ao abrir a porta me perguntei: Agora onde estamos nós, povo de um pais, farto de reclamar sobre os próprios interesses… mas que se limita a uma rede social para dizer o k sente? Agarrado a uma vida social que se limita a discotecas, copos e selfies? Ou será que não devemos recuar um pouco no passado, dar um abraço e sem qualquer interesse ligar a um amigo e dizer-lhe : “ Eu estou aqui!” Agora sim temos a nossa realidade, os nossos amigos onde estão? No Facebook, no twitter ou em outra rede social? Onde estamos nos quando alguém precisa de nos, de um ombro amigo? Onde estamos nos que fizemos um juramento que nada nem ninguém iria separar o “Bando”? Será que temos que acompanhar as mudanças do dia de hoje e nos limitar a ir para uma rede social falar de nós, dos nossos problemas e ideias?