João Felix, desempregado, recebe (recebia) subsídio de desemprego no valor de 415 euros. Tentando equilibrar o orçamento familiar fez alguns “biscates” que lhe renderam no final do mês 190 euros conforme recibo mostrado. Denunciado, perdeu o direito ao subsídio. Lamentou ter omitido a tarefa, embora sabendo ilegal, era uma forma de sobrevivência. Dirá o leitor: cumpriu-se a lei.
Maria França, mãe de 2 filhos menores, aufere, rendimento mínimo garantido, 300 euros. Com tão pouco, tem necessidade de dar alguns “dias fora” em casas particulares para melhorar a vida em casa. Os filhos, traquinas, “distraiem-se” e ficam pelo caminho nas brincadeiras e esquecem-se de ir um ou outro dia à escola. Após ameaça, disse-me chorosa, sujeita-se a perder o direito ao rendimento mínino. Dirá o leitor: embora injusta a lei é para cumprir.
Joaquim Frade, árbitro de futebol desempregado, não pode passar recibo verde das verbas que lhe são devidas por ter arbitrado jogos nos 4 fins de semana do mês.
Privou a familia, adiantou combustível e refeições e se passar recibo, de 200 euros, perde o subsídio de desemprego. Dirá o leitor: A lei é dura , mas é lei.
Ricardo Espirito Santo Salgado, Banqueiro (BES) recebeu 14 milhõe de euros de presente de José Guilherme, construtor civil em Angola. Em Maio, mês de entrega da declaração do IRS, não fez constar tal rendimento elevado às Finanças. Questionado da razão de tamanha omissão respondeu: “foi por esquecimento”.
Os primeiros perderam o subsídio de desemprego e o rendimento mínimo por terem cometido crimes de “lesa Estado” – conseguir, com esforço, mais uns trocos para a sobrevivência da sua familia.
Sabem o que aconteceu ao último? Continuou como Presidente do BES, e segundo se veio a saber, intensificou práticas fraudulentas que levaram à ruína do Banco, desbaratando milhões, os quais, de uma forma ou de outra (já não me comovo com discursos emocionais) será, mais tarde ou mais cedo, o estado a pagar a factura.
Preparem-se, vêm aí branqueamentos.
Justiça “Má” para pobres e justiça “BOA” para ricos. O que mais me revolta é que essa justiça, é feita nos mesmos tribunais e sentenciada pelos mesmos juizes. Pois é, demagogia, acusar-me-ão.
Aliás, e porque, o dito “senhor DDT” não possui em seu nome ou da esposa qualquer património, casa ou carro, proponho que lhe seja atribuido pelo o Estado Português o rendimento mínimo garantido. Os direitos humanos assim o exigem.
Termino citando um jornalista e escritor brasileiro Nelson Rodrigues: “O mundo estaria salvo se os homens de bem tivessem a mesma ousadia dos canalhas.”
Francisco Costa