Numa terra com municípios a mais, freguesias a mais e instituições a mais, os riscos de falta de coordenação são imensos e se, por motivos políticos, o problema parece não poder ser resolvido como deveria – criando um novo mapa autárquico e extinguindo algumas instituições – deveria ser, pelo menos, minimizado, protegendo-se o erário público dos custos inerentes à descoordenação. Falando especificamente da “cultura do entretenimento”, no Verão madeirense multiplicam-se (eu diria atropelam-se) os eventos, muitos privados, mas a maioria, ainda, promovidos por câmaras municipais e outras instituições públicas. Se naquilo que respeita aos privados não há nada a dizer – cada um investe como quer, naquilo que quer, assumindo os riscos inerentes - já no que toca aos públicos a conversa deve ser outra e por isso, trago uma questão antiga, que continua pertinente: - Numa Região com a dimensão territorial e demográfica da Madeira - muito inferior à de certos municípios do continente - deveria ou não haver um instrumento que ajudasse a coordenar os eventos das autarquias e das restantes instituições públicas, criando um calendário que se estendesse o mais possível no tempo e permitindo a partilha de meios, com consequente diminuição de custos? Assumo claramente uma posição: - sim, deveria. Deveria ter sido criado no tempo da “suposta unanimidade” partidária, quando um só partido detinha o poder no Governo e em todos os municípios. Apesar de terem existido propostas nesse sentido, não foi e perdemos tempo e (muito) dinheiro. Deve, no entanto, pugnar-se para que seja uma realidade agora, envolvendo o Governo Regional e a Associação de Municípios da Região Autónoma da Madeira (representativa, julgo eu, de todas as câmaras municipais). Teríamos todos a ganhar com isso. As instituições públicas porque poupavam dinheiro, meios e, provavelmente, conseguiriam oferecer “mais com menos”. Os consumidores, porque teriam um calendário que se estenderia por mais tempo, mais coordenado, melhor comunicado. Seria ainda um bom exemplo de maturidade democrática sou seja, apesar das diferenças políticas, municípios e governo mostrariam vontade de colocar o bem comum à frente dos interesses de paróquia. Post-Scriptum: Para evitar más interpretações, não falo de arraiais ou coisas que tais. Não advogo que se mude a data da festa do Monte ou de São Vicente ou de outra qualquer. Nem os dias dos concelhos, aqueles em que os senhores autarcas vestem, com todo o direito, toda a pompa e toda a circunstância, a melhor gravatinha pra sessão solene.
Gonçalo Nuno Santos