Tal como escrevi, já lá vão 10 anos, neste mesmo espaço, em “tempo de parvoidades” que outros designam por “silly season”, vale sempre a pena usar o pretexto para, na caçoada, “...se dizerem muitas verdades e se mandarem para o ar mensagens ou recados que só os distraídos não entendem”. É, nessa mesma toada, que retomo o tema, limitando-me a 5 exemplos que vale a pena registar. 1. A nível regional – sem ter, obviamente, escapado as referências nos meios de informação nacional – foi a recente “brincalhotice” levada a cabo por um partido político – o Partido da Nova Democracia – em conferência de imprensa, expressamente convocada para o efeito. Na mesma, os seus representantes, encapuçados e usando boinas ao estilo da ETA – o movimento revolucionário basco – fizeram questão em anunciar a decisão de o partido passar à clandestinidade revolucionária, num protesto contra o regime político da Região, por se considerarem impedidos do exercício dos direitos legítimos do partido. 2. A nível nacional, está à vista a próxima realização de eleições primárias, no Partido Socialista, numa disputa para a liderança, entre António Costa e António José Seguro que, como se percebeu, já não são os amigos que eram. Então Costa para evitar a perda pelo PS da gestão do Município de Lisboa, aceitou recandidatar-se e ganhou, na perspectiva de, posteriormente, abdicar para ocupar a posição de Seguro e candidatar-se a Secretário-geral do partido, com vista a disputar as eleições legislativas de 2015. Daí, de “candeias às avessas”, já mal se falam, como se percebe. 3. A nível das comunidades internacionais, foi uma surpresa a adesão da Guiné Equatorial como membro da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) graças a interesses algo duvidosos, por ter acabado de acrescentar o português – ainda que não praticado – como mais uma das três que são já línguas oficiais naquela nação africana. Pode assim esperar-se, para preservar a nossa língua, que da Guiné Equatorial, virá a contribuição válida que falta, para a consecução, dentre outros objectivos estatutários da CPLP, os que, nomeadamente, respeitam à “planificação e execução de programas de promoção, defesa, enriquecimento e difusão da Língua Portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização...”. 4. Com projecção nacional e, igualmente, além-fronteiras, diria que é, sem dúvida, de grande relevância, a disposição já anunciada, pelo Dr. Marinho Pinto, ex-bastonário dos advogados e, recentemente, eleito deputado para o Parlamento Europeu, para os próximos 4 anos, de se candidatar no próximo ano, para a Assembleia da República – não acumulável com o cargo de euro-deputado – tendo em vista, inclusivamente, vir a ocupar o cargo de primeiro-ministro. De igual modo relevante e, em velocidade vertiginosa, o ex-bastonário, fez saber e antecipa-se já, a sua disponibilidade para – a menos de um ano e meio, de vista – se candidatar à presidência da República. 5. De interesse prioritário para a Região, bem justificando uma referência, estão à vista as próximas eleições internas para a presidência do PSD/Madeira, para que se perfilam já 5 candidatos, existindo um sexto em perspectiva. Ainda que Madeirense, a decisão não me cabe – não sou residente, nem membro do partido – não me inibindo porém de pensar. De todos os candidatos, como se sabe, só um deles, mantendo a discrição e a ponderação, não está directamente conotado com a gestão directa dos anos mais recentes da governação, de que os outros se procuram distanciar, pouco lhes faltando para clamar que “não são farinha do mesmo saco”. Dos militantes residentes e com direito a voto, depende a decisão e até certo ponto o futuro da Madeira. [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico]

Francisco Leite Monteiro